Brasília (DF)

O ministro da defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta sexta-feira que pretende “consolidar” o conselho sul-americano de defesa ainda este ano. Ele disse que a articulação começará pela Venezuela, onde se encontrará com o presidente Hugo Chávez, em 14 de abril, e seguirá por Guiana e Suriname. Segundo o ministro, o tema foi tratado “informalmente” no Chile e na Argentina, que estariam de acordo com a proposta brasileira.

De acordo com Jobim, o conselho deverá tratar de questões militares dos países sul-americanos e prevenir situações, como a invasão do território equatoriano pela Colômbia, no início do mês, mas sem interferir nas relações diplomáticas.
“Conduziremos, exclusivamente, questões de defesa”, ressalta Jobim. “Não se pretende criar uma Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) do Sul. Queremos integrar problemas de defesa em uma política sul-americana”, ressaltou.

Nelson Jobim não comentou a ajuda oferecida na quinta-feira pela secretária de estado norte-americana, Condoleezza Rice, para criação de um plano de segurança regional. Em relação à ocupação de fronteiras por grupos terroristas, o ministro garantiu que essas áreas estão sob controle no Brasil. “Não temos nenhum problema. Não há disputa. A nossa grande fronteira, a Amazônia, está monitorada por forças militares”, disse.

Mesmo assim, o ministro destacou que um dos objetivos do conselho sul-americano de segurança será discutir o reforço na atuação nessas áreas fronteiras. No Brasil, principalmente, nas fronteiras com a Amazônia.
“Em relação a monitoramento de fronteiras, a Amazônia será a mais privilegiada, porque é a região menos habitada”, afirmou Jobim. “Também Rio Grande do Sul e centro-oeste. Mas fundamentalmente a Amazônia”, acrescentou.