Brasília (DF)

Os líderes governistas e de oposição mandam o recado: a principal preocupação do governo federal até o fim do ano será obter a aprovação do orçamento 2011. Fora isso, nada extraordinário deverá ser votado.

As ‘propostas da discórdia’, como a da divisão dos royalties do pré-sal e da emenda 29, serão empurrar para a próxima legislatura, que começa em 1º de fevereiro, quando o governo terá ampliada a base de apoio no Congresso.

O motivo não é exatamente nobre – e também não é por conta somente do orçamento. O fato é que a partir de 2011, o governo terá ampla maioria e, por isso, deixará os temas espinhosos para depois… bem depois.

A base governista saiu fortalecida das urnas. Os partidos que apoiaram a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) obtiveram 352 das 513 vagas da câmara. A base tem ainda 54 das 81 cadeiras do senado.

A verdade é que poucos temas foram discutidos desde julho, quando começou o recesso de meio de ano. Após o retorno, iniciou-se um “recesso branco” por conta das eleições. Uma reunião de líderes na casa ocorre amanhã para definir a pauta de votações dos próximos dias.

No senado, a situação é a mesma: a expectativa fica apenas por conta do orçamento. Até porque o grande gargalo do governo lula sempre foi justamente esta esfera.

Politicamente, pode parecer um raciocínio correto deixar para a próxima legislatura votações importantes, porque o governo aparentemente terá maioria mais folgada. Mas as coisas mudam. O que hoje é base de apoio, pode não ser amanhã.