Amanda Menger
Capivari de Baixo

A costureira Maria Salete Fraga Maria e sua filha, a auxiliar de costura Ana Paula, levaram um susto ontem ao chegar para trabalhar, às 7h30min, em uma empresa de confecções no centro de Capivari de Baixo. A fábrica estava fechada e todas as máquinas tinham ‘desaparecido’. Segundo o vigilante que trabalha nas proximidades, um caminhão com placas de Treze de Maio levou todos os equipamentos, quarta-feira, por volta das 21h30min.

As trabalhadoras descobriram, ainda, que a empresa não depositou o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e nem o INSS, mas descontava na folha de pagamento. A facção de jeans produzia para outras marcas e existia há cerca de um ano. “Comecei a trabalhar em junho. Os dois primeiros pagamentos foram em dia, depois começou a atrasar. Meu fim de ano será muito ruim. Estou preocupada, já que tenho uma cirurgia marcada para o dia 14”, relata Maria Salete.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Vestuário de Tubarão e Região (Sintraves), Carlos Zamparetti, afirma que as providências já foram tomadas para que as costureiras recebam o que têm direito. “Nossa advogada entrará com uma ação para que os bens do empresário sejam bloqueados e as trabalhadoras recebam o que lhes garante a lei trabalhista. Pode ser que elas levem algum tempo para receber. Infelizmente, é o terceiro caso deste tipo só neste ano. Os outros dois foram em Tubarão”, explica Zamparetti.

Boletim de ocorrência
As costureiras registraram um boletim de ocorrência na delegacia da Polícia Civil de Capivari de Baixo. Alguns objetos das trabalhadoras estavam em gavetas das máquinas e também foi levado um telefone celular, um aparelho de som, um óculos de grau e tesouras e outros utensílios de costura. Das 25 máquinas levadas, duas pertenciam à locatária das salas. O empresário está desaparecido e teria saído em um Santana Quantum, branco. A polícia civil já instaurou o inquérito e investigará o caso.

FGTS e INSS
• O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Vestuário de Tubarão e Região (Sintraves) recomenda que os trabalhadores façam consultas frequentes ao saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Para isso, basta levar a carteira de trabalho na Caixa Econômica Federal. Caso o depósito não esteja em dia, o recomendável é fazer a denúncia ao sindicato da categoria ou mesmo ao Ministério do Trabalho.
• O sindicato entrará em contato com o Ministério do Trabalho que indicará um auditor fiscal para verificar a situação. A empresa terá que saldar a dívida e ainda terá que pagar multa.
• Com o recolhimento do INSS, o procedimento é o mesmo, porém, a verificação é feita junto às agências do órgão. Em caso de denúncia, o INSS indicará um auditor fiscal para realizar a verificação das dívidas.