Ireno Nelson Pretzel, de 66 anos, foi condenado nesta quinta-feira (24) pelo feminicídio por asfixia da médica Lúcia Regina Gomes Mattos Schult. Ireno foi condenado a 17 anos e seis meses de reclusão em regime inicialmente fechado, pelo Tribunal do Juri da comarca de Itapema, no Norte de Santa Catarina, onde ocorreu o crime em março de 2020.

O julgamento começou às 9h e encerrou por volta das 19h, a sessão foi presidida pelo juiz Marcelo Trevisan Tambosi. O crime ocorreu na casa do casal, durante o período de quarentena decretado pelo Estado para evitar a transmissão do coronavírus.

A vítima foi encontrada já sem vida dentro da casa por policiais militares acionados para atender a ocorrência de violência doméstica. Ireno aguardava o julgamento na UPA (Unidade Prisional Avançada) de Itapema e não poderá recorrer da decisão em liberdade.

Antes de ser preso pela última vez, Ireno ficou mais de um ano foragido, ele foi preso em abril de 2021 no Rio Grande do Sul. Em julho de 2021 a defesa de Ireno solicitou a liberdade do homem, mas o pedido foi negado. Segundo o delegado responsável pela prisão, ele já tinha inclusive uma nova namorada no município gaúcho de Charqueadas.

O idoso foi preso em flagrante no dia no crime, 20 de março de 2020, e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pelo juízo da Vara Criminal da comarca de Itapema.

Em junho do mesmo ano, no entanto, ele foi solto por decisão da Justiça. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) entrou com recurso e a prisão preventiva foi reestabelecida em setembro, mas Ireno ficou foragido até abril de 2020.

O júri popular ocorreu sem a presença do público externo, em obediência às orientações sanitárias por conta da Covid-19, conforme todos os protocolos e cuidados recomendados pela diretoria de Saúde do PJSC (Poder Judiciário de Santa Catarina).

Somente os membros do Ministério Público, os jurados e os servidores e auxiliares do juízo indispensáveis à realização do ato estiveram presentes na sessão.

Relembre o caso

A médica Lúcia Regina Gomes Mattos Schultz tinha 60 anos quando foi morta dentro da casa de veraneio da família, na região central de Itapema, logo no começo do lockdown imposto para evitar o contágio da Covid-19, ainda em março de 2020.

PM (Polícia Militar) foi chamada por vizinhos por volta das 17h30 daquela sexta-feira, e precisou arrombar a porta do apartamento do casal para localizar a vítima. Ireno já havia deixado o imóvel, mas foi preso ao retornar para o apartamento, para pegar a carteira.

Ele contou à PM que agrediu a esposa durante uma discussão em que ela teria dado um tapa no rosto dele. Ireno é réu confesso do crime. Em março do ano passado, Alex Blaschke Romito Almeida, o advogado de defesa do acusado, afirmou à reportagem do Grupo ND que, apesar de Ireno ter sido denunciado por feminicídio, a defesa entende que o crime se trata de homicídio simples.

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Fonte: NDMais