Programação cultural em alusão à data inicia amanhã na comunidade do Farol de Santa Marta, em Laguna

Laguna

Com a construção do Farol de Santa Marta, o antigo lugarejo que poucos pescadores utilizavam como morada temporária começou a crescer. Passado 108 anos, a comunidade comemora a data com atividades culturais a partir de amanhã, com oficina sobre as baleias francas, encontro de capoeiristas, exposição de artes e apresentação de documentário sobre a pesca artesanal. A programação está incluída no mapa cultural do município e pode ser encontrado no link http://laguna.sc.mapas.cultura.gov.br/evento/686/, com apoio da Fundação Lagunense de Cultura.
A história da comunidade começa em maio de 1909, dezoito anos depois da construção do Farol, quando chega seu Eliziário Patrício para fixar moradia. Em depoimento, ele descreveu o lugar com muita mata, e apenas habitado pelos faroleiros. O Farol para avisar os navios sobre o perigo foi erguido em 1891, à luz sinaliza a posição exata da Pedra do Campo Bom, a Laje da Jagua. A traiçoeira formação rochosa havia afundado o navio de Giuseppe Garibaldi, 52 anos antes, durante a Revolução Farroupilha.
“Quando chegamos, por não termos onde nos abrigar, fizemos uma barraca com a vela da nossa canoa, e aí moramos por muitos dias, até que fizemos um rancho de palhas. Hoje isto está como o senhor, vê todo povoado. Não sei se fiz bem ou mal”, definiu seu Patrício, para a revista Vida Doméstica, de 1947. Atualmente, são mais de mil moradores.

“A decisão não é definitiva”

O caderno de anotações do “Seu Mirzo” o popular “Sabiá”, pescador do Farol de Santa Marta, que costumava escrever tudo que acontecia na vila é um dos registros das memórias do vilarejo que segue em desenvolvimento em Laguna. Sabiá relata que o “Farol de Santa Marta foi construído de areia, barro e óleo de baleia. Eliziário Patrício trabalhou na construção de pedreiro, que no dia 31 de janeiro de 1891 acendeu. Nesse mesmo dia o senhor Chico André nasceu”. “Eliziário Patrício voltou ao Farol no ano de 1909. Vieram com ele doze famílias de pescadores. Fundou a comunidade. Trouxe uma canoa com o nome de Branca Rosa”.
“Dia quatro de maio deu um lance com mil tainhas. Ele velejou de Florianópolis até Tramandaí. Recebeu o nome de velho lobo do mar”. “Viviam em rancho de palha, as louças que usavam era de barro, cama feita de bambu, colchão de palha de milho, luz = lamparina a querosene, água de poços e o peixe era transportado em lombo de cavalo”.
“Manoel Cardoso não quis morar com os companheiros. Fez um rancho de palha na praia do sul. Por isso até hoje ficou conhecida por Praia do Cardoso”.
“Nos anos de 1970 tinha no Farol 30 canoas para a pesca de tainha”.
“Em 1939, Eliziário Patrício trouxe a primeira baleeira para pesca do caceio. Em 1946 tinha 33 baleeira vindo de Ingleses, Barra da Lagoa, Garopaba do Norte, Canto do Ganchos e Imbituba”.
“Em 1936, a Marinha construiu a estrada que liga a Prainha a Praia Grande. Em 1972 foi construída a estrada do Farol a Cigana. “Além de fornecer informações meteorológicas, o Farol de Santa Marta emite sinal de rádio para navios que também é usado para a aviação. Os marinheiros ainda estão 24 horas atentos para receber qualquer chamado e ajudar se necessário”.

Programação cultural

• Amanhã
14 horas – Oficina com o Projeto Baleia-Franca: “Aprendendo com as Baleias”.
Local: Escola do Farol de Santa Marta.
18 horas – Reunião de abertura com uma roda de discussão sobre a formação do Conselho Comunitário do Farol de Santa Marta.
19 horas – Lançamento do site faroldesantamarta.org.
Local: Salão comunitário, na Prainha.

• Sábado
9h30min – Aulão com os mestres pica-pau, do Paraná e mestre bola 7, de São Paulo.
15 horas – Exposição de arte com Artur Coock, Wellington e instituto Chachá.
17 horas – 10º Encontro nacional de capoeira. A partir das 21 horas, confraternização com música ao vivo.
Local: Salão comunitário, na Prainha.

• Domingo
15 horas – Oficina de boi de mamão com o professor Jurandir Marcelino.
18 horas – Exposição fotográfica e exibição do documentário: “Pesca artesanal com auxílio dos botos”, com Wellington Linhares Martins – curador e mediador do debate.
19h30min – Cinema no salão: “A pedra e o Farol – o filme”, Luciano Burin. Aberto ao público.
Local: Salão comunitário.

• Segunda
Comunidade do Farol de Santa Marta – 108 anos
10 horas – apresentação do boi de mamão, na Prainha.