Tubarão

A Organização Mundial da Saúde adverte que 90% dos casos de suicídio no mundo poderiam ser evitados. E a jornalista Beatriz Rocha Juncklaus, destaca que a imprensa tem papel fundamental como fonte de informação para as pessoas. “Esse assunto não deve ficar atrelado apenas ao mês de setembro. As doenças mentais são silenciosas e ocorrem o ano inteiro, assim como o suicídio, que é considerado um caso de saúde pública. E o jornalismo tem um papel fundamental no combate ao suicídio ao abordar esse assunto com responsabilidade”, acrescenta.

Também voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), a jornalista indica que os conhecimentos das duas áreas se complementam na profissão e lista os cuidados que a imprensa deve ter ao noticiar um caso de suicídio. “Não se deve divulgar o local e nem o método pelo qual ele ocorreu e também não é correta a divulgação de bilhetes, cartas ou apontar culpados, dando destaque para o caso”, defende Beatriz.

A profissional acredita que a comunicação, ao abordar o tema, deve focar na prestação de um serviço de utilidade pública, focando não só no suicídio, mas, descrevendo também os sinais de alerta, falando sobre as doenças mentais e sobre onde procurar ajuda. “Vemos muitos veículos de comunicação focando apenas na popularização do conteúdo e nos cliques nas matérias. Isso pode resultar na produção de um material jornalístico irresponsável, que vira um gatilho para uma pessoa que esteja fragilizada”, critica.

Responsabilidade

Beatriz aponta que o primeiro passo para falar sobre suicídio no jornalismo é o profissional da comunicação compreender o poder que tem nas mãos. Pois, abordando de maneira responsável o tema, o jornalista contribui para a divulgação de conhecimentos, informações e orientação sobre o assunto. “O foco principal deve ser trabalhar na quebra do tabu sobre as doenças mentais e na orientação das pessoas para a busca de ajuda especializada, prevenindo novos casos”, acrescenta.

A profissional ainda comenta que a comunicação pode e deve ser benéfica para fazer as pessoas refletirem sobre o tema, pois, a maioria dos casos de suicídio são ocasionados por conta de transtornos mentais como ansiedade, depressão, bipolaridade, entre outros.

“Conversar sobre os nossos sentimentos em casa e com amigos, prestar atenção no comportamento dos que estão ao nosso redor auxilia a compreender os momentos difíceis pelos quais as pessoas passam e permite ajudar sempre que possível”, finaliza.

Onde buscar ajuda?

O Centro de Valorização da Vida (CVV) presta apoio emocional e de prevenção ao suicídio de maneira gratuita, 24h por dia, por meio do telefone 188 ou via e-mail e chat online no site https://www.cvv.org.br/. Há a possibilidade de atendimentos presenciais nas Unidades Básicas de Saúde através do Sistema Único de Saúde.

A Unisul também presta assistência nessa área por meio do Serviço de Psicologia de segunda a sexta-feira, conforme agendamento prévio. Para saber mais entre em contato através do telefone (48) 3621–3071 ou compareça de maneira presencial na clínica, que fica anexa aos Ambulatórios Integrados de Saúde, no Bloco C da Unisul Campus Tubarão.