Como lidar com nossas sombras

Quando ficamos muito tempo na sombra, sem ajuda, podemos chegar a uma experiência crônica, que pode nos levar a desenvolver patologias mais sérias como crises de ansiedade, depressão, estresse e nossa saúde corre risco.

Quem nunca se viu imerso em uma maré ruim, onde tudo parece dar errado, se sentindo vulnerável e enfraquecido, como se estivesse passando por uma verdadeira tempestade?

Esses dias que parecem muito cinzentos, muitas vezes ocorrem, por que estamos experimentando o nosso lado sombra, que é como se fosse um lugar escuro que a gente não entende muito bem mas nos traz reações antagônicas.

A sombra é o lado oposto do nosso lugar mais iluminado. Pense em um dia que tudo parece ter dado certo e você se sentiu feliz e confiante. Essa é a sua luz, ou seja, o como você é, nas melhores condições. É você feliz em dias ensolarados.

Normalmente, o que nos faz entrar no modo “sombra” são gatilhos ou situações estressoras, internas ou externas. Por exemplo, uma pessoa que tem uma personalidade onde a segurança é basal, uma ameaça de perda de emprego pode levá-la para esse lugar
sombrio.

Ela pode se tornar extremamente irritada, fechada ou emotiva, dependendo do seu padrão de funcionamento. Uma outra pessoa cuja personalidade ou experiência de vida seja de amar intensamente, pode ter como gatilho, o medo da perda de pessoas queridas e qualquer fator que a lembre dessa possibilidade, sendo real ou não, pode ser suficiente para levar essa pessoa para um comportamento extremo como chorar intensamente, ou ter reações instintivas e fortes de proteção, mesmo diante de um medo irreal.

Uma pessoa que é bastante confiante de repente pode se tornar totalmente insegura, sem entender muito porquê. O que as pessoas geralmente não conhecem é que não somos essa pessoa, mas passamos a nos comportar de um jeito diferente quando entramos em
contato com algo que nos mexe profundamente, por isso buscar ajuda psicológica é fundamental.

Quando ficamos muito tempo na sombra, sem ajuda, podemos chegar a uma experiência crônica, que pode nos levar a desenvolver patologias mais sérias como crises de ansiedade, depressão, estresse e nossa saúde corre risco.

E como colocamos luz nesse lugar escuro? O primeiro passo sempre é o autoconhecimento. As pessoas acham que dão conta sozinhas e ficam tentando achar soluções paliativas. Mas é preciso mais que isso. É preciso entender seus gatilhos. É preciso entender como você se torna nesses momentos para reconhecer antes de chegar em um nível mais grave. É preciso conhecer a sua luz, para voltar ao seu melhor estado.

Além da ajuda psicológica, algumas experiências e atitudes podem contribuir. Parar de se cobrar, aceitar a própria vulnerabilidade e entender que você não é essa pessoa mas está sendo assim, na sombra, faz muita diferença.

Procurar ter momentos para resgatar energias como períodos de pausa na natureza ou conversar com quem você gosta e estima, também são boas maneiras de relembrar quem você é no seu modo normal.

Ter paciência consigo mesmo ou com quem você se relaciona e possa estar passando por um momento sombrio é fundamental. Depois do inverno vem a primavera e depois que as folhas caem, vem o espaço para as novas flores brotarem.

Os momentos de baixa, são inerentes à vida humana. Quanto mais você fortalece seus músculos do autoconhecimento, mais rapidamente tende a sair das crises. Mas a resiliência também é da nossa natureza, portanto é importante colocar fé na própria capacidade de superar essas fases. Afinal, tudo passa. Uma hora passa.

Que tenhamos sempre força, foco e fé para seguir em frente, apesar das quedas. E que possamos emergir dos momentos de escuridão.