Conforme decisão de audiência pública da Comissão de Turismo e Meio Ambiente (CTMA), realizada na tarde de quinta-feira (5), na Assembleia Legislativa, a Comissão organizará uma delegação de prefeitos e técnicos para visitar feira em Miami, nos EUA, para convencer operadoras de cruzeiros a atracarem em Florianópolis.

“A Assembleia poderia organizar uma delegação para participar de 20 a 23 de abril, em Miami, do maior evento de cruzeiros do mundo, são mais de 140 países, 740 expositores, mas gente grande, cachorro grande, não pode ser assessor, tem de ser o prefeito Gean Loureiro ou o governador Moisés, como Luiz Henrique da Silveira fazia”, sugeriu o jornalista Moacir Pereira.

Ivan Naatz (PL), presidente da CTMA, acatou a sugestão. “Vou conversar com o deputado Julio Garcia (PSD), podemos convidar os prefeitos de Itajaí, Navegantes, Florianópolis, Imbituba e Laguna”, declarou Naatz. 

O deputado também se comprometeu em articular com deputados federais e estaduais a destinação de recursos, através de emendas parlamentares, para realizar um levantamento hidrográfico das baías Norte e Sul. “Para verificar o calado”, justificou Naatz, depois de conhecer que o último levantamento hidrográfico das baías é 1957.

O presidente da Associação Náutica Brasileira (Acatmar), Mané Ferrari, concordou com o encaminhamento e criticou a ausência do estado nas feiras anteriores.

“Deixamos de ir à maior feira de cruzeiros em Miami, tínhamos lá um estande em que quatro prefeitos entregavam um folder para trazer cruzeiros para suas cidades. Um operador me falou ‘vocês no Brasil constroem portos onde não conseguimos chegar, não queremos apenas um destino, queremos a região toda’. Temos que nos vender em conjunto”, defendeu Ferrari.

A situação da capital

De acordo com Vinícius de Lucca Filho, representante da Secretaria de Turismo de Florianópolis, uma escala teste realizada em julho de 2018 detectou várias vulnerabilidades no local de atracação em Jurerê, no transporte dos passageiros até a chamada retro área (com espaços para Anvisa, Receita e Policia Federal, restaurante, área de entretenimento, banheiros), na dispersão e no retorno dos passageiros ao navio.

“O tempo do transporte dos passageiros foi em média de 30 minutos, isso por si só inviabiliza a atracação”, lamentou Vinicius, acrescentando que a alternativa encontrada pelo município foi trabalhar outro nicho de cruzeiros, o segmento de luxo, com menos passageiros e navios e calados menores. “Mesmo sem infraestrutura já temos escala para 2021, com cerca de 800 passageiros”, garantiu Vinicius.

O representante da prefeitura da capital também detalhou planos para construir um atracadouro em Jurerê, em Canasvieiras ou em Canajurê, no Norte da ilha. “Estamos trabalhando para buscar espaço com investimento privado, com concessão, ou via parceria público-privada (PPP)”.

Marinha de acordo

O capitão de corveta Marcos Maia, representante da Marinha do Brasil na audiência, garantiu que a força naval não tem restrição ao trânsito e à atracação de navios cruzeiros.

“Nossa única preocupação é com a segurança da navegação e com os pontos de fundeio. Para a escala teste foram sugeridos três pontos, porque o navio fica girando em um raio de 800 metros e toda área do círculo tem de ser segura. No caso, o calado do navio era de oito metros e a profundidade do local de 11 metros”, informou Maia.

Boas notícias

Segundo Geraldo Barreto, técnico em regulação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a partir de 2021 será possível embarcar em um cruzeiro em Itajaí com destino à Europa. Além disso, está prevista uma escala técnica na temporada 2021 no porto de Imbituba, assim como a possibilidade de implantação de minicruzeiros entre os portos de São Francisco do Sul, Itajaí, Balneário Camboriú e Porto Belo. “Já tem empresa pensando nisso, para nós seria maravilhoso”, garantiu Barreto.