#Pracegover Foto: na imagem há símbolos do direito
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A Comissão do Idoso da Ordem dos Advogados do Brasil da 6ª subseção de Tubarão deverá encaminhar nos próximos dias para o promotor do Ministério Público (MP), que atua no caso de possível ‘negligência’ no Abrigo dos Velhinhos, na Cidade Azul, um relatório com o objetivo de que o servidor do MP ofereça a denúncia contra a administração da instituição. A situação de negligência é relatada por familiares de internos, ex-internos da unidade, ex-funcionários e voluntários.

O documento é assinado pelo presidente da 6ª subseção, João Batista Blasius e pelos integrantes da Comissão do Idoso, a presidente Viviane Spoltti Ferri; a vice-presidente Silvia Maria Raimundini de Souza, e os membros Mônica Moyses Farias; Marcos Cesar Domingos e Maria Nilta Ricken Tenfen. Os advogados são contrários ao que foi mencionado na conclusão do inquérito policial, onde não foi constatado pela profissional de segurança pública crimes de negligência aos idosos.

Familiares dos idosos, voluntários e ex-funcionários da instituição têm denunciado há algum tempo situações de negligência vividas pelos internos no Abrigo dos Velhinhos. Eles afirmam em denúncias que os idosos sofrem maus-tratos e não são assistidos como deveriam pela direção do Abrigo. No ano passado, alguns dos moradores da casa foram internados em unidade hospitalar com quadros de desnutrição e desidratação.

Inúmeras irregularidades foram apontadas e também mencionadas em oitivas. Segundo os denunciantes, há falta de pessoal qualificado, de infraestrutura operacional, medicamentos e ainda, de higiene. Alimentos são enterrados em pés de bananeiras. O leite longa vida, por exemplo, também é descartado ao redor da bananeira.

Desde março de 2020, familiares e voluntários não podem fazer visitas aos internos e desta forma, os habitantes da casa de repouso somente podem ter contato diário com funcionários e a direção do local. A medida visava concentrar esforços para evitar uma eventual propagação do vírus da Covid-19. No entanto, mesmo com a proibição das visitas cinco pessoas vieram a óbito nos últimos 25 dias em decorrência da doença. Em menos de um ano nove pessoas morreram na instituição.

Familiares relatam que ligavam para a casa e as informações sobre o estado de saúde dos idosos não eram repassadas com precisão e veracidade. “Alguns deles que andavam foram vistos em cadeiras de rodas ou acamados. Um deles passou por procedimento cirúrgico nos olhos e o tratamento não foi feito corretamente. Infelizmente os familiares não estão sabendo o que se passa na instituição. Entrávamos em contato e afirmavam que estava tudo bem. Há maus-tratos, negligência e nenhuma punição”, lamenta a familiar de uma ex-interna.