Tubarão

Provavelmente você já ouviu alguém reclamar de dificuldade para urinar, ter que levantar no meio da noite para ir ao banheiro, necessidade de urinar mais vezes que o habitual ao longo do dia, fluxo reduzido ou gotejamento após a micção. Você sabia que isso pode significar estenose uretral?

Trata-se de uma doença urológica em que a uretra, tubo que conduz a urina da bexiga até o meio externo, está parcialmente ou totalmente obstruída. Como a uretra masculina é mais longa, a doença é mais frequente em homens. Esse problema, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, acomete um a cada dez mil homens até 25 anos e um a cada mil até 65 anos. É uma das condições cirúrgicas mais difíceis de se tratar, talvez porque, durante a evolução da medicina, muito pouco foi feito para modernizar esse tratamento.

Mas no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), de Tubarão, desde o ano passado vem sendo realizada a uretroplastia, procedimento cirúrgico moderno e inovador, feito para reparar as anomalias encontradas na uretra.

 
Cirurgia une médicos de duas especialidades

 
Sete cirurgias de uretroplastia já foram realizadas no HNSC desde 2019, quatro delas com enxerto de mucosa oral (EMO), técnica para casos de estenose uretral que ainda é pouco difundida na região. A cirurgia é realizada simultaneamente pelo urologista Daniel Albrecht Iser e o cirurgião de cabeça e pescoço Dr. Francisco Castro dos Santos. Enquanto este último remove uma parte da mucosa da boca do paciente, o urologista trabalha na reconstrução da uretra com esse tecido.

“Existem várias situações que podem conduzir à estenose de uretra, principalmente trauma, infecções, diminuição da irrigação sanguínea e congênita”, afirma o Dr. Daniel Albrecht Iser. “A uretroplastia com enxerto de mucosa oral é uma cirurgia realizada por poucos especialistas, pois os profissionais não habilitados optam por fazer tratamentos alternativos com passagem prolongada de sondas que, no caso das estenoses uretrais, não são soluções definitivas para o problema. Em média, o tecido leva de quatro a seis semana para se adequar à região implantada e, depois disso, o paciente segue com acompanhamento e logo pode voltar à rotina normal”, explica o especialista.

Técnica moderna

Segundo o cirurgião Francisco Castro dos Santos, a opção pelo enxerto de mucosa oral se dá pela grande semelhança do tecido com o epitélio da uretra, sendo que ela é rica em fibras de colágeno e elastina, o que a torna altamente resiliente, resistente à compressão e estiramento. “A mucosa oral foi utilizada neste procedimento devido às vantagens em relação a outros tecidos do próprio corpo do paciente ou processados laboratorialmente, pela facilidade de colheita, disponibilidade e características histológicas do próprio tecido”, afirma o médico. Nesse tipo de cirurgia, a idade não constitui um obstáculo, sendo mais importante atender aos sintomas e ao estado geral do paciente.

Em 2019, o Hospital Nossa Senhora da Conceição se destacou pelo número de cirurgias realizadas em várias áreas. No primeiro semestre, o percentual total de crescimento nas cirurgias foi de 4,9% em relação ao mesmo período de 2018, e de 8,5% no segundo semestre. Se analisarmos os números de cirurgias realizadas somente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no HNSC, os números são ainda maiores: 8,7% de crescimento no primeiro período de 2019, e 13% no segundo.