#ParaTodosVerem Na foto, uma ilustração de como é um estrela com um buraco negro ao lado
Um esquema feito pelos pesquisadores ilustra a configuração da estrela com o buraco negro companheiro - Foto: ESO/L. Calçada via Agência Brasil | Divulgação

Uma estrela localizada em outra galáxia, na Grande Nuvem de Magalhães, transformou-se em um buraco negro “adormecido”, estado que torna este tipo de corpo celeste difícil de ser detectado. O fenômeno, um dos mais extraordinários da astronomia, foi constatado recentemente por especialistas de diferentes entidades internacionais. Conforme a equipe que, por seis anos, fez observações com o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, este é o “primeiro buraco negro de massa estelar adormecido a ser detectado fora de nossa galáxia”.

Diz-se que um buraco negro está “adormecido” quanto não emite altos níveis de raios X, que é justamente como esses eventos são detectados. O fato de que este fenômeno não está recebendo matéria de uma estrela companheira torna a pesquisa ainda mais especial, e o buraco negro mais difícil de ser medido. Esses dois objetos – o buraco negro e a estrela – formam um sistema binário. Caso se aproximem suficientemente um do outro, pode ser que essa estrela comece a transferir matéria para o buraco negro que, então, sairia do estado adormecido em que se encontra.

Apesar de não serem visíveis, uma vez que, devido à gravidade colossal, atraem (ou distorcem) até mesmo a luz, os buracos negros podem ser percebidos matematicamente, pela influência que exercem em outros corpos celestes. De acordo com o Observatório Nacional, o buraco negro em questão tem aproximadamente dez vezes a massa do Sol e a estrela que o acompanha tem 25 vezes a massa solar. É a primeira vez que astrônomos encontram um buraco negro em um conjunto de estrelas também jovem – com aproximadamente 100 milhões de anos, basicamente a idade de uma criança se comparada ao resto do universo.

“Há mais de dois anos que andamos à procura destes sistemas binários com buracos negros”, diz a coautora do trabalho Julia Bodensteiner, pesquisadora do ESO na Alemanha. Outro coautor do estudo, Pablo Marchant, da KU Leuven, diz ser surpreendente o tão pouco que se sabe a respeito de buracos negros adormecidos, “dado o quão comuns os astrônomos acreditam que eles sejam”. Para realizar o estudo, a equipe observou quase mil estrelas massivas na região da Nebulosa da Tarântula, localizada na Grande Nuvem de Magalhães, na busca por alguma que tivesse um buraco negro como companheiro.

Fonte: Agência Brasil via Observatório Europeu do Sul

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