Foto: John Lok / Reprodução

Um pequeno implante elétrico instalado no crânio e conectado ao cérebro que pode detectar e tratar a depressão, inclusive a mais severa: essa revolução já é uma realidade e pode beneficiar milhões de pessoas em todo o mundo.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Francisco, nos EUA, são os responsáveis pelo desenvolvimento do implante e divulgaram recentemente o tratamento experimental feito com uma paciente chamada Sarah.

Sarah, de 36 anos, recebeu o dispositivo há cerca de um ano e teve sua vida transformada. Segundo ela, o implante do tamanho de uma caixa de fósforos está sempre ‘ligado’, mas só emite um impulso elétrico quando percebe que a mulher precisa dele.

Apesar do otimismo, os cientistas ressalvam que é muito cedo para dizer se o dispositivo pode ajudar todos os pacientes com depressão de difícil tratamento, mas se dizem esperançosos e planejam mais testes.

“Terapia experimental funcionou para mim”
Primeira contemplada com o dispositivo, Sarah conta que a terapia experimental funcionou muito mais que tratamentos paralelos, como antidepressivos e terapia eletroconvulsiva.

À primeira vista, a cirurgia de implante pode ser assustadora, mas Sarah disse que a “perspectiva de obter qualquer tipo de alívio era melhor do que o que estava experimentando”.

Até então, ela tinha esgotado todas as opções de tratamento possíveis. “Minha vida diária se tornou tão restrita. Me sentia torturada todos os dias. Mal me movia ou fazia qualquer coisa”, relembrou.

O procedimento cirúrgico consistia na criação de pequenos orifícios em seu crânio para encaixar os fios que monitorariam e estimulariam seu cérebro. Para isso, há uma bateria e um gerador de pulso enfiado no osso debaixo do couro cabeludo.

Um dia inteiro foi necessário para fazer o implante, com anestesia geral, o que significa que Sarah ficou inconsciente todo o tempo.

Ao acordar, ela conta ter se sentido “eufórica”.

“Quando o implante foi colocado pela primeira vez, minha vida deu uma guinada para cima imediatamente. Minha vida voltou a ser agradável. Dentro de algumas semanas, os pensamentos suicidas desapareceram. Quando estava nas profundezas da depressão, tudo o que via era o lado ruim das coisas”, disse. Agora não mais.

Doze meses depois, Sarah continua bem e sem manifestar efeitos colaterais. “O dispositivo manteve minha depressão sob controle, permitindo que voltasse ao meu melhor estado e reconstruísse uma vida que valesse a pena ser vivida”, explicou.

Por fim, questionada sobre alguma dor sentida por causa do implante, a mulher explicou que não consegue sentir o dispositivo enquanto ele emite impulsos elétricos. “Provavelmente posso dizer em 15 minutos que ele disparou devido a uma sensação de alerta e energia ou da positividade que sinto, mas só”, completou.

Como o implante funciona
A psiquiatra Katherine Scangos, que também é pesquisadora na Universidade da Califórnia, explica que a inovação foi possível localizando os “circuitos da depressão” no cérebro de Sarah.

“Encontramos um local, que é uma área chamada corpo estriado ventral, no qual a estimulação eliminou de forma consistente seus sentimentos de depressão. E também encontramos uma área de atividade cerebral na amígdala que poderia prever quando seus sintomas eram mais graves”, esclareceu.

Ainda assim, os pesquisadores afirmam que “muito mais estudos” precisam ser realizados para testar a terapia experimental e todos os seus desdobramentos. É possível que a tecnologia ajude pacientes com outras doenças mentais para além da depressão. É o início de uma verdadeira revolução na psicologia, psiquiatria e neurologia!

Com informações de BBC via Razões Para Acreditar

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