Zahyra Mattar e
Wagner da Silva

Armazém/São Ludgero

A chuva de fim de semana deixou um prejuízo sem precedentes na região, especialmente no Vale do Braço do Norte. As cidades mais atingidas, São Ludgero e Armazém, ainda trabalham no levantamento que apontará quanto custarão os consertos. Ontem, o prefeito de Armazém, Jaime Wensing (PSDB), e o de São Ludgero, Ademir Gesing (PMDB), decretaram situação de emergência.

A estimativa é que a chuva e o vento tenham ocasionado mais de R$ 4 milhões de prejuízo nas duas cidades. Em Armazém, Wensing acredita que precisará de pelo menos R$ 300 mil para garantir que os 800 quilômetros de estradas de chão voltem a ficar trafegáveis. Além disso, há mais de 50 pontilhões de madeira danificados.
“Toda a base econômica da cidade gira em torno da agricultura e os produtores não têm como escoar a safra se tudo não for remendado a tempo. Além disso, temos três casas que ficaram danificadas”, lamenta.

Entre desabrigados e desalojados, há 15 pessoas. No caso de uma das famílias, a perda da casa é total. A estrutura ficou abalada depois que um muro de contenção caiu em cima da residência. As outras duas ficaram parcialmente destruída.
“Até quarta-feira (amanhã), entregaremos o relatório para a Defesa Civil do estado e esperamos que o governo nos ajude. Especialmente quanto às estradas, minha maior preocupação”, pontua Wensing.

Em São Ludgero, área rural é a mais afetada

Somente em uma granja de aves de postura na comunidade de Barra do Norte, no interior de São Ludgero, o prejuízo com a chuva e o vento é de R$ 500 mil. E o valor é uma cifra superficial. Ontem pela manhã, uma equipe formada por representantes da Epagri e da secretária de agricultura, comércio e indústria da prefeitura iniciou o levantamento dos prejuízos. A área rural é a mais afetada.

“Foram ventos muito fortes. Ficamos assustados. Nunca vi nada igual por aqui. Perdi quase tudo. O prejuízo deve chegar a R$ 500 mil, no mínimo”, lamenta o avicultor Clodoaldo Becker. Ele possuía aproximadamente 70 mil aves de postura. Uma das granjas foi totalmente destruída. Mais de quatro mil aves foram mortas.
No centro de distribuição de alimentos da propriedade de Clodoaldo, uma das paredes de alvenaria foi derrubada pelos ventos. O restante do complexo aviário teve grande parte do telhado arrancado. Nove motocicletas, dos funcionários da granja, foram destruídas após a queda da garagem.

No CTG Beira Rio, cujo galpão foi praticamente todo destelhado, a avaliação dos prejuízos ainda não foi iniciada. Também na comunidade de Barra do Norte, um empresa de reciclagem de materiais foi totalmente destruída. Absolutamente nada ficou em pé.
Na comunidade de Bom Retiro, plantações de eucalipto com mais de 20 anos foram completamente destruídas. A força dos ventos foi tanta que árvores foram arrancadas até com a raiz e lançadas a mais de dez metros de distância.