Wagner da Silva
Braço do Norte

A angústia e o sofrimento deram lugar ao alívio e alegria após a chegada dos 24 estudantes que ficaram isolados, desde sábado até terça-feira, em um parque aquático em Gaspar. A excursão partiu sábado de manhã para o parque aquático e uma visita a Balneário Camboriú, mas a viagem foi interrompida após a queda de uma barreira próxima ao local.

Momentos tranquilos confundiam-se com medo, conta o casal de namorados Franciély da Rosa Ferreira e Diogo Cruz Neto, que estavam junto ao grupo de Braço do Norte. Segundo eles, após a chegada, mesmo sob chuva, ainda se divertiram no parque, mas a partir das 16 horas iniciaram os desmoronamentos e foi dado o aviso de que ninguém deveria sair. “Era para sairmos à noite e seguir para Balneário Camboriú, mas com a interrupção na estrada, tivemos que ficar”, explica Diogo.

Durante o período de isolamento, as pessoas estavam tranquilas. O único momento em que o medo tomou conta foi após a explosão de um gasoduto, bem perto do local onde estava o grupo. “Não dormimos à noite com medo, após a explosão. Ficou um clarão e nos assustamos. Ao redor do parque estava terrível”, conta Franciély.
Todos eram bem tratados, com alimentação e banho. “Recebemos café da manha, almoço, tomávamos banho. Só que havia períodos de racionamento de energia e água, pois não sabiam quanto tempo ainda permaneceríamos lá. Não tínhamos notícias do que estava ocorrendo na região. Quando saímos, vimos alguns lugares”, ressalta ela.

A boa notícia chegou terça, quando deixaram o local a pé. Logo depois, o ônibus saiu e os estudantes pegaram a estrada de volta para casa. “Sem noção. Estávamos loucos para chegar em casa. A gente fala de Braço do Norte, mas não quero sair daqui tão cedo”, completa.
A mãe de Franciély, Adelina da Rosa Ferreira, garante que foi um presente. “Ganhei Franciély de volta. Acho que é a reação e o sentimento de todos os pais que puderam ver os filhos descendo do ônibus bem”, enfatiza.

Sem gás natural, empresas da região já contabilizam os prejuízos causados

Tatiana Dornelles
Tubarão

Devido ao corte de fornecimento de gás natural, algumas empresas da região sul do estado estão praticamente paradas. Muitas optaram por dar férias coletivas aos funcionários ou estão com alguns setores em funcionamento. Outras estudam formas de reduzir os prejuízos, que são muitos.

A Itagres Revestimentos Cerâmicos, em Tubarão, que utiliza o combustível para a fabricação dos seus produtos, está quase parada. O prejuízo pode chegar a R$ 1 milhão. Por enquanto, apenas a máquina de polimento e retífica funcionam (parte que é feito o acabamento no produto depois de queimado). Até o fechamento desta edição, a direção da empresa não sabia ainda se daria férias coletivas aos funcionários.
“Estamos com a fábrica parada e ficaremos assim até voltar o fornecimento de gás. A previsão da Petrobras quanto à volta é dia 16. A fábrica voltaria a funcionar três dias depois, em função do aquecimento de fornos”, conta a gerente de comunicação com o mercado da Itagres, Simone Lourenci.

O problema da empresa, a princípio, é quanto à fabricação de novos produtos. Entretanto, o escoamento da produção também foi prejudicado, uma vez que 50% dos clientes são de São Paulo e não é possível mandar o produto, devido aos problemas na BR-101, como quedas de barreiras, por exemplo. “Também não temos como receber a matéria-prima, pois vêm do norte. O prejuízo deve chegar a R$ 1 milhão. Fomos pegos de surpresa e a Itagres parou às 20 horas de ontem (terça-feira)”, acrescenta.
Os motoristas que possuem carros com GNV também estão sem abastecimento desde a noite de domingo. Em alguns postos, até mesmo o fornecimento de outros combustíveis está comprometido, uma vez que os caminhões não têm como passar em alguns trechos da rodovia federal.