Lily Farias

Farol de Santa Marta

O domingo era pra ser mais um dia comum na vida de Michele (21) e Lucas Martins (25): acordar juntos, como faziam todas as manhãs, tomar café, ficar com a família e passear à tarde pra aproveitar o final de semana. Mas o destino quis que tudo fosse diferente!

Naquela madrugada Lucas acordou antes das 3 horas pra sair pra pescar com o pai, no Costão do Ilhote, Extremo Sul da praia do Cardoso, no Farol de Santa Marta. O pai de Lucas mora em Jaguaruna e passou na casa dos pais de Michele, onde o casal estava desde sexta.

Era pouco mais de 5 horas quando o pai de Lucas chegou ofegante e correndo na casa de Michele pedindo ajuda porque Lucas foi “levado pelo mar”. Agora eles esperam uma reposta do Oceano ou dos Bombeiros, e acreditam ser muito difícil encontrar Lucas com vida.

Essa é a versão oficial da família de Lucas, que conversou exclusivamente com a equipe do Portal Notisul. A esposa Michele nos recebeu na casa dos pais, no Farol de Santa Marta, e contou todos os detalhes do dia do acontecimento e como é a agonia de esperar por respostas em um momento tão delicado. 

“Estou dormindo bem pouco e quando acordo parece que nada disso está acontecendo. Eu chego a procurar por ele e quando me dou conta da realidade entro em desespero”, conta Michele. 

Lucas era um genro exemplar, diz o pai de Michele, João dos Passos, de 51 anos. “Eu não perdi um genro, perdi um filho, perdi um amigo. Ele era uma pessoa maravilhosa, vivia sempre sorrindo e feliz e só fazia o bem pras pessoas”, relata João.  

DIA DO DESAPARECIMENTO

Lucas despareceu no mar quando foi pescar com o pai na madrugada de domingo. Michele e João contam que os dois não estavam em uma pedra, estavam tarrafeando na beira da praia. “É que naquele lugar existe uma buraco, a água faz uma volta grande e se você estiver desprevenido é levado pela correnteza, mesmo estando raso no local”, conta João. 

Michele conta que no sábado à noite pediu pra Lucas não ir pescar porque a condição do tempo não era ideal e seria muito perigoso. “Mas ele não me ouviu. Disse que era bobagem e que voltaria o quanto antes. E não voltou mais”, lamenta a esposa.

João conta que assim que o pai de Lucas chegou pedindo ajuda eles pegaram a moto e saíram pela região procurando o jovem. “Espero que o mar devolva meu genro querido pra gente dar um funeral pra ele e nos despedir. Já perdi muitos amigos no mar sei o quanto é triste esperar por alguém que não vai voltar”. 

FAMÍLIA

Michele e Lucas estavam juntos há 1 ano e eram casados há 10 meses. Na época ele morava com os pais em Jaguaruna e ela no Farol de Santa Marta, também com os pais. Os dois se conheceram no ônibus a caminho do Cedup, em Tubarão, onde faziam curso técnico. “Fomos apenas amigos durante um tempo. Começamos a namorar e dois meses depois estávamos casados. Fui morar com ele em Jaguaruna e vivíamos muito felizes”, diz Michele. 

Eles tinham um relacionamento muito intenso e cheio de amor. Frequentavam a igreja evangélica e estavam formando uma família. Michele completou três meses de gravidez nesta segunda-feira (9), um dia depois do desaparecimento de Lucas.

“Ele sempre foi muito carinhoso comigo, me dava tudo do bom e do melhor, nunca brigamos nem nos desentendemos, nos amávamos intensamente. Ele tinha certeza de que nosso filho será um menino. Ele sempre sonhava com isso”, conta.

Lucas era filho único e sempre pedia pra Michele cuidar de seus pais caso alguma coisa acontecesse com ele. “Ele insistia muito nisso nesses últimos dias. No sábado à noite ele me beijava tanto, fazia carinho na minha barriga como se soubesse que algo iria acontecer. É como se estivesse se despedindo de mim e do nosso filho”.