Longe do centro das discussões sobre o coronavírus, que assusta o mundo, algumas doenças também merecem atenção, já que possuem mais poder de transmissão e fazem até mais vítimas. É o caso, por exemplo, da dengue. De acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, a doença transmitida pela picada do mosquito tem crescido e já soma mais de 180 mil casos neste ano, com 32 mortes.

Esse aumento é 72% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados oficiais. O Estado com mais ocorrência da doença é São Paulo, com 61 mil casos. O ano de 2019 surpreendeu pelo número de mortos. Foram 754 vítimas, atrás apenas de 2015, ano da pior epidemia já registrada. Do outro lado, embora com número crescente de casos confirmados, o coronavírus não fez nenhuma vítima fatal no Brasil.

“É claro que o coronavírus chama mais a nossa atenção. Afinal de contas, ficamos mais surpresos com o novo e com os números que todos os dias são atualizados. Porém, é importante cuidar do nosso dia a dia. No Brasil, a taxa de mortalidade da dengue é muito mais alarmante. Ao mesmo tempo, ela também é mais fácil de evitar”, explica o médico Francisco Simi.

O médico ressalta que, enquanto a infecção pelo novo coronavírus se dá pelas vias respiratórias e está associada a um vírus para o qual ainda não se tem vacina ou tratamento específico, a dengue possui forma de prevenção por meio de tarefas simples que focam em evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti. Eliminar água armazenada que pode se tornar possíveis criadouros é a mais importante. “Ações como essa dependem exclusivamente de todos nós. Com elas, colhemos os resultados positivos lá na frente”, diz.

Boas práticas

O cuidado com o coronavírus é indispensável, assim como é preciso praticar boas ações para evitar a infecção pelo vírus da dengue. “Para as doenças respiratórias, como a gripe e o novo coronavírus, o mais importante é a higienização das mãos para evitar o contágio. Lavá-las várias vezes ao dia e evitar levá-las ao nariz e à boca, é um ótimo começo”, destaca o médico.

A prevenção é sempre a melhor saída. Evite locais com muitas pessoas e com pouca ventilação; lave bem as mãos e os pulsos com água e sabão várias vezes ao dia; escolha lenços descartáveis para limpar nariz e boca; não compartilhe objetos pessoais, como talheres, copos e escova de dente e higienize as mãos com álcool em gel após sair de locais públicos.

“Não há razão para pânico quando se fala sobre o coronavírus. Precisamos ter cuidados sim, mas é preciso olhar com o mesmo nível de atenção para doenças que já são nossas velhas conhecidas”, finaliza.