São Paulo (SP)

A polícia já apurou 70% do que ocorreu na noite do dia 29 de março, quando Isabella Nardoni, 5 anos, morreu após cair do 6º andar do prédio onde mora o seu pai, o consultor jurídico Alexandre Nardoni, e a sua madastra, a estudante de direito Anna Carolina Jatobá. “Temos 70% do caso apurado no que se refere à dinâmica (do crime), ao ferimento, onde e tudo o ocorreu até o óbito”, garantiu a delegada-assistente do 9º DP, Renata Pontes.

Ela comparou as investigações a um quebra-cabeça composto de depoimentos e provas técnicas. Para a delegada-assistente, os 30% que faltam ser esclarecidos, a partir dos laudos periciais, não serão surpresa. “A polícia está chegando mais próximo da verdade”, acrescentou. Entretanto, sem dar detalhes, o delegado-titular do 9º DP, Calixto Calil Filho, disse que boa parte da chamada cena do crime foi montada, mas ainda faltam mais de 50% das investigações.

Segundo Renata, 36 pessoas foram ouvidas pela polícia e outras 19 intimadas a prestar depoimento. Ela explicou que a tônica de alguns depoimentos vem se repetindo. “Um depoimento vem dar credibilidade ao outro, um corrobora o outro”, afirmou. A delegada-assistente ainda informou que laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) não serão divulgados nesta semana.

Renata Pontes não quis dizer se Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são suspeitos. Porém, ambos seguem presos.
Chinelos
A perícia irá comparar os chinelos que Alexandre Nardoni usava na noite da morte da criança com a pegada encontrada em lençol no quarto em que ela foi arremessada pela janela.

Entretanto, aparentemente, a marca seria de um sapato de borracha. A polícia apreendeu 30 pares de sapatos de Nardoni e de sua mulher, Anna Carolina Jatobá, para comparar os solados. Não é descartado que a pegada seja de qualquer pessoa que tenha entrado no quarto após a morte da criança.

O desembargador Caio Canguçu de Almeida, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, deve julgar pedido de habeas corpus, para que o casal acompanhe as investigações em liberdade, entre hoje e amanhã.