Amanda Menger
Tubarão

Espontaneamente. Foi assim que o ex-administrador da Campeiro Produtos Alimentícios, Alexandre Augusto Pereira Tavares, apresentou-se à Justiça Federal ontem pela manhã, em Florianópolis. Na última semana, a juíza substituta da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal, de Florianópolis, Ana Cristina Krämer, negou o pedido de prisão preventiva solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF). O mandado de citação foi expedido quinta-feira, mas, antes mesmo do oficial de justiça cumprir a determinação, Alexandre já tinha se apresentado.

O advogado do ex-administrador, Guilherme Cristofolini Rocha, afirma que, com esta atitude, Alexandre poderá responder ao processo em liberdade. “Temos dez dias para apresentar a defesa prévia. Ainda não tenho conhecimento de todas as acusações, pois tive acesso aos autos apenas hoje (ontem). Vamos estudar o caso e elaborar a argumentação. Por enquanto, não posso adiantar nada”, afirma o advogado.

O advogado não confirmou se Alexandre realmente saiu do país e nem porque, com todas as denúncias, ele não se pronunciou a respeito. Guilherme integra uma das bancas de advocacia mais conhecidas de Florianópolis, liderada por Rodrigo Roberto da Silva, que é ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Roberto foi responsável por elaborar a defesa do deputado Genésio Goulart (PMDB) no processo de impugnação do registro de candidatura durante a campanha a prefeito no ano passado. Genésio teve o registro deferido pelo TRE.

Entenda o caso
• Em 17 de março, os empregados da Campeiro foram dispensados e, no dia 6 de abril, as demissões foram confirmadas.
• O ex-proprietário da empresa, Max Nunes, garante que vendeu a Campeiro com uma dívida de R$ 7 milhões. O grupo A. Nunes vendeu a empresa por R$ 8,2 milhões.

• O ex-administrador é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de praticar crime de estelionato em empréstimos com o governo federal (EGFs) no valor de R$ 20 milhões. Na denúncia, o procurador da república Celso Três afirma que, em 2007 e 2008, Alexandre firmou contratos de empréstimos, dando como garantias os mesmos grãos e alienando outros. Além dos EGFs, outras operações bancárias, lastreadas em dinheiro público da União, tiveram garantia defraudada.
• Alexandre é acusado de lesar os sócios da Campeiro, fraudar instituições financeiras, os créditos dos produtores, suprimir emprego dos trabalhadores e praticar agiotagem por meio de ‘caixa dois’.

• O procurador solicitou a prisão preventiva de Alexandre, no dia 15 de abril. A juíza federal de Tubarão remeteu o processo para Florianópolis, pois a 1ª Vara Criminal de Florianópolis é especializada em crimes financeiros.
• No dia 5 de maio, a juíza substituta da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal, de Florianópolis, Ana Cristina Krämer, negou o pedido de prisão preventiva. Ela entendeu que Alexandre não foi citado e que, por ter endereço fixo, deveria primeiro ser intimado. Ela também negou a apreensão do passaporte de Alexandre (que tem dupla cidadania Brasil/Estados Unidos).