O desejo de ter um filho pode surgir na vida de qualquer pessoa. Conforme alguns pensadores contemporâneos, a paternidade não vem com manual de instruções. Muitas vezes essa frase usada para transmitir o sentimento de que a prática ensina a teoria, pode ser aplicada para assegurar que não há normas quanto ao melhor caminho para ser pai. Juntos há pouco mais de 3 anos, o casal homoafetivo Lucas Noyori e Thiago Noyori sempre quiseram ser pais biológicos e conseguiram alcançar este desejo há um mês, quando nasceu Benjamin Aegon Noyori.

Lucas morou por 10 anos em Tubarão e atualmente reside com o marido em Osasco, São Paulo. Apaixonados por crianças, desde o início do namoro a dupla falava que sonhava em ter filhos. O sonho foi possível no último dia 13 com a colaboração da irmã de Thiago, que foi a barriga solidária.

Antes da gestação, o casal foi a uma clínica de fertilidade e no local, eles foram informados que teriam que aguardar por um bom tempo na fila de espera por uma doadora anônima. No entanto, foram avisados que o processo ocorreria com celeridade caso conseguissem mulheres que também aceitariam doar óvulos para a clínica. Lucas e Thiago conversaram com Karina, irmã de Thiago, que aceitou  doar os óvulos e ainda, seria a barriga solidária do sobrinho.

A doadora do óvulo para a gestação do filho do casal foi anônima, já a barriga solidária foi de Karina, cunhada de Lucas. Antes da gestação do sobrinho, ela teve dois filhos que estão com 14 e 5 anos. A jovem é casada.

O casal doou os gametas responsáveis pela fecundação e eles não querem saber de quem é o gameta responsável pela gestação, já que ambos foram os doadores. Aqueles que quiserem acompanhar o dia a dia do pequeno Benjamim e seus papais podem acessar o Instagram @papaisnoyori.

Autorizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a barriga solidária é uma opção em casos de problemas médicos que impeçam ou contraindiquem uma gravidez e também para casais homoafetivos, transgêneros e pessoas solteiras. Mas, para isso, a mulher que gestará a criança deve ter parentesco consanguíneo até o quarto grau. Ou seja, ser mãe, filha, avó, irmã, tia, sobrinha ou prima de um dos parceiros. A técnica foi tema central da novela Barriga de Aluguel (1990) e, recentemente, surgiu na trama de Amor de Mãe, ambas da TV Globo.

Quem pode ser barriga solidária?

A mulher deve ser parente consanguínea de um dos parceiros do casal, ou da pessoa solteira, até quarto grau: mãe, filha, avó, irmã, tia, sobrinha ou prima; deve ter no máximo 50 anos de idade e condições de saúde atestadas por exames médicos, além de passar por avaliação psicológica.

Uma amiga pode ser a gestante?

Pelas normas, não, mas os casos podem ser avaliados pelo Conselho Regional de Medicina.

A barriga solidária tem algum direito sobre a criança?

Não, a mulher que cedeu o útero não tem nenhum direito sobre a criança, conforme determinado em termo de consentimento assinado pelos pais e pela gestante, que detalha as questões legais da filiação. O registro de nascimento leva somente o nome dos pais.

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Foto: Aline Morais Fotografia