Zahyra Mattar
Capivari de Baixo

Cidade considerada modelo na Amurel, Capivari de Baixo continua a ser um modelo, mas desta vez de como não se deve gerir um município. Frota de veículos destruída, escolas sem manutenção nos prédios, posto de saúde interditado devido à falta de higiene são apenas alguns poucos problemas a serem resolvidos nos próximos meses. Na educação, a situação agrava-se por conta do início do ano letivo, no próximo mês.

Ontem, o prefeito Luiz Carlos Brunel Alves (PMDB) e o vice, Nivaldo de Sousa (PMDB), explanaram sobre as condições administrativas da cidade. As notícias não são boas. A dupla continua a despachar do Centro de Referência de Assistência Social (Cras). A contabilidade do município, referente ao ano passado, não foi fechada ainda. Logo, a deste ano não pode ser iniciada. Não há informações suficientes para imprimir nem mesmo os carnês do IPTU, que já deveria começar a ser entregues aos cidadãos.

A prefeitura corre o risco ainda de perder possíveis pagamentos, convênios e recebimento de verbas, já que não há informações contábeis, apenas notas fiscais com números astronômicos. Na Celesc, a dívida é de R$ 78 mil, referente à taxa de iluminação pública. Nos postos de saúde, não há material básico como luvas e gazes. Nas escolas, nem mesmo giz ou merenda.

“Entre 6 de outubro e 31 de dezembro do ano passado, a prefeitura pagou mais de R$ 2 milhões a fornecedores. Mas não encontramos nada do material adquirido: desde gaze até material de expediente. No almoxarifado, apenas encontramos fardos de guardanapo. Deviam fazer muita festa aqui para precisar de tanto guardanapo para limpar o bigode”, constata Brunel.

Na agricultura, sob o comando interino do ex-vereador Leonardo Machado Madalena, conforme as notas fiscais encontradas, houve investimento de R$ 193 mil, mas não há nem mesmo pás. Até outubro de 2008, a pasta era a que mais concentrava servidores: 70 funcionários.

Os maiores problemas estão na saúde e na educação
Os secretários de saúde e educação da prefeitura de Capivari de Baixo foram empossados ontem pelo prefeito Luiz Carlos Brunel Alves (PMDB). Wanderley Araújo da Rosa ficará na educação, e Aurimar da Silva comandará a saúde. As duas pastas são as que concentram os maiores problemas para a atual administração. Na saúde, um posto foi interditado por falta de higiene. Das quatro ambulâncias, uma funciona.

O carro oficial do prefeito foi emprestado à pasta, mas está com multas e documentação atrasada. Na verdade, dos 44 veículos que compõem a frota, dois têm plenas condições de uso. A ambulância e um ônibus escolar. No segundo semestre do ano passado, foram investidos R$ 1.406,903,00 em medicamentos, mas não há nada na farmácia básica do município. O que sobrou está fora da validade. “Na minha gestão, Capivari era modelo no estado. Hoje, não tem nem luvas para procedimentos básicos”, lamenta o prefeito.

Na educação, a situação não é diferente. Não há livros didáticos para o início das aulas, no próximo mês. “Foram gastos R$ 557.097.097,02 em apostilas de uma editora de Curitiba, mas os livros do MEC continuaram a vir. Onde estão?”, indaga o secretário de educação. Na maioria das escolas, há problemas estruturais no prédios e super lotação de alunos. Caso da Dom Anselmo Pietrulha, no centro, onde 550 estudante estão matriculados, mas cabem, no máximo, 200. “Não cogitamos a possibilidade de ter que interditar alguma escola”, rechaça Wanderlei.