Capivari de Baixo

Na reunião realizada na Amurel, para discutir os impactos ambientais da Indústria de Fosfatados Catarinense (IFC), que poderá ser instalada em Anitápolis, o ex-vereador de Capivari de Baixo, Elto Aguiar Ramos, o Eltinho, trouxe um exemplo prático. Ele mostrou a área degradada na comunidade de Ilhotinha, pelo que chama de “Lago de Óleo”.

A área, que está embargada pelo Ministério Público e interditada pela Defesa Civil, é responsável por uma ação civil pública contra o Estado de Santa Catarina. Isso porque o estado liberou, nos anos 80, a instalação da Sul Química, empresa de derivados de petróleo que fechou as portas na década de 90 e deixou sem solução uma lagoa onde foram depositados milhares de litros de óleo e derivados.

Quando faliu, a Sul Química deixou dois passivos. Um trabalhista, já que os funcionários não receberam até hoje, e um de valor inestimável, que é o ambiental: o lençol freático foi contaminado, e além disso, moradores reclamam do fedor de enxofre, principalmente em dias de sol forte. Já quando chove, a água leva junto um pouco do óleo, que causou, inclusive, o fechamento de poços artesianos na região.

O caso do “lago de óleo” ganhou visibilidade em 2011. Um morador procurou Eltinho, então vereador de Capivari de Baixo. “Quando me deparei com aquilo, meu queixo caiu. Foi feita uma reunião com Ministério Público, prefeitura, Fatma e Tractebel, que por ser a maior empresa do município, colaborou contratando uma empresa que fez o levantamento da área e constatou o estrago”, revela.

E o estrago é grande. A área degradada tem o tamanho de um campo de futebol suíço, com 8,5 milhões de litros de óleo.

“Fui a Brasília, falei com Ministério do Meio Ambiente, Defesa Civil Nacional. Que por sua vez, disseram que era competência do estado”, conta Eltinho.

Já a ação civil pública segue na Justiça. A primeira liminar condenou o Estado, mas foi derrubada em seguida. E continua sem perspectiva.