#Pracegover Foto: na imagem há um homem sorridente, de barba, com uma camiseta preta, corrente no pescoço e um boné claro
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“A dúvida, o desespero, a falta de informação e a incerteza nos destroem a cada dia.” O desabafo é de Nazaré Torquato Amorim, irmã de Moisés Torquato Amorim, o Dédo, de 33 anos, desaparecido há mais de dois meses. O sentimento da jovem representa milhares de famílias em todo o Brasil.

Em pouco mais de 30 minutos de entrevista, Nazaré, que é um ano mais velha que o irmão contou como foi a infância de ambos e do bom relacionamento com Dédo desde sempre, em Capivari de Baixo. “O Dédo é um rapaz muito do bem. Um bom filho, irmão e tio. Antes do desaparecimento nos falávamos todos os dias. Sempre o questionei como estava os cuidados com a nossa mãe, os medicamentos e trocávamos muitas ideias”, expõe.

Ela lembra que no dia 20 de janeiro enviou uma mensagem via WhatsApp, para o familiar que residia no bairro Alvorada, na cidade termelétrica. “Como todas as manhãs nos comunicávamos. Sei que neste dia ele e nosso meio irmão mais velho saíram para fazer umas compras em Tubarão. Após as compras, o Dédo disse a ele que ficaria pela cidade vizinha e depois iria voltar para casa. Meu irmão mais velho foi para a sua residência e o mais novo ficou no centro da Cidade Azul. Não sabemos o que ocorreu que ele nunca mais voltou para a residência da nossa mãe”, lamenta.

De acordo com Nazaré, Moisés foi visto pela última vez na avenida Nereu Ramos, em Capivari de Baixo, pelo sistema de videomonitoramento. Depois disso não há informações e nem sinais de onde o homem de 33 anos esteja. Um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado e a Polícia Civil do município investiga o caso.

A irmã pontua que são mais de 60 dias de angústia e que a família não tem vivido direito. “Lembro dele a todo instante, quando vou tomar café, almoçar, e na hora do jantar. Quando está chovendo, por exemplo, penso ‘será que ele está em lugar seguro? Será que ele está nas ruas passando necessidade, com frio ou passando por perigo? Será que está doente precisando de ajuda e não tem como se comunicar comigo?’ A cada rosto ou gesto parecido, ele vem à cabeça”, assegura Nazaré.

A separação forçada pela ausência inexplicável é lembrada na irmã que espera pelo irmão há mais de dois meses. Quando saiu de casa Dédo estava com uma calça jeans, um tênis preto, uma blusa de lã cinza e com boné verde escuro da marca Nike. Ele estava desempregado e não costumava sair sem dar informações. O homem até a data do ocorrido morava com a mãe, é solteiro e não tem filhos.

Santa Catarina registrou no ano passado, 219 casos de desaparecidos. Destes, 107 foram encontrados, 112 seguem sem informações e 13 óbitos. Conforme o soldado do SOS Desaparecido da Polícia Militar (PM), em Florianópolis, Guilherme Andrade Cândido, muitos familiares não cadastraram o desaparecimento. “Fizemos campanhas nas cidades para as pessoas como ocorrem esse trabalho. É necessário registrar esse desaparecimento e desta forma, podemos agir”, explica.

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