#Pracegover Foto: na imagem há três jovens, um documento, um cão e árvores
#Pracegover Foto: na imagem há três jovens, um documento, um cão e árvores

Os mais de 40 animais encontrados em canil clandestino em Jaguaruna estão sendo encaminhados para lares temporários. Sob responsabilidade do município, os cães passaram a contar também com a atenção de um grupo de voluntários de Ongs e ativistas da causa animal.

Nesta segunda-feira, dia 20, os voluntários, acompanhados por veterinários, deram banho nos cachorros e receberam dezenas de pessoas que se candidataram ao processo de adoção temporária, conforme determinação da Justiça.

“Mais da metade já foram. As pessoas que estão com animais em lar temporário terão prioridade nas adoções deles devido o vínculo de afeto e pensando no bem estar-animal”, explica o advogado Dener Vieira Nascimento, que representa o Coletivo Animal, a Solpra de Laguna e está coordenando o processo de lar responsável temporário junto com veterinárias.

Outras pessoas também estão auxiliando na manutenção dos animais e no processo seletivo como representantes dos grupos Patinhas Unidas, Segunda Chance, Unidos Por Eles, Proteção Animal, Proteção Animal vira Lata e Solpra Voluntariado.

O voluntário Juan da Silva, da Associação de Proteção Animal Vira Latas, explica que os interessados em adotar um dos cães passam por análises feitas por meio de um questionário e entrevistas. Há um termo de compromisso que o candidato deve assinar também, ciente de todos os pontos específicos. “Esperamos que até o Natal os cães se encontrem em famílias cheias de amor e carinho, pois sabemos que não foram dias fáceis para aqueles nobres animais”, comenta.

De acordo com a veterinária voluntária Evelize Goulart Cavagnoli, cerca de 200 pessoas chegaram a se candidatar para adoção, porém, a maioria queria apenas os animais de pedigree. “Tivemos muitos interessados, mas muitos queriam só de determinada raça e doação permanente e acabaram desistindo”, diz.

Na sexta-feira, dia 10, foram feitos nos 43 cães exames e coletas para análises laboratoriais em parceria com a Unisul. Segundo informações, o resultado não apontou doenças de risco que impedissem a liberação dos animais.

Casal acusado de administrar canil clandestino e maltratar animais seguirá preso 

A 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, negou habeas corpus e manteve a prisão preventiva de dois homens – de 67 e 27 anos – acusados de administrar o canil clandestino em Jaguaruna.

No local, segundo denúncia do Ministério Público (MP), o casal sujeitava 48 animais a inúmeros maus-tratos, desde escassez de alimentos e ausência de higiene até a falta de veterinários para acompanhamento de verminoses e zoonoses. Uma operação policial flagrou o caso no dia 19 de outubro.

Entre os animais sob guarda, cães de raças como Spitz Alemão, Akita, Pastor Malinois, Border Collie. Husky Siberiano, Cane Corso e Samoieda, além de outros sem raça definida. Os donos também foram denunciados pelo crime de poluição na área de 5 mil metros quadrados, às margens da BR-101, no município de Jaguaruna. Trechos de relatórios produzidos por veterinários após inspeções ao local, anexados aos autos, assim como a morte de pelo menos dois animais, enterrados em cova rasa no sítio, contribuíram para a manutenção da segregação dos envolvidos, em voto condutor do desembargador Getúlio Corrêa, relator do habeas corpus:

“Quadro de desnutrição agravado, [animais] caquéticos e com sinais de desidratação; diversos estavam doentes, apresentando olhos profundos e opacos, êmese (vômitos), mostrando intolerância alimentar e/ou intoxicação; diversos outros mostravam sintomas de doenças infectocontagiosas e parasitas, tais como: caquexia (magreza extrema), desnutrição, verminoses, diarreia sanguinolenta, enterite.”

“Todos os cães apresentavam lesões cutâneas em diversas áreas do corpo e com diferentes graus de severidade, algumas compatíveis com infestação de ácaros, outras compatíveis com fungos e dermatite severa, bem como sarnas, descarga nasal, falhas no pelo e ocular tosse. Também apresentavam alta infestação de pulgas.”

“Um dos cachorros apresentava sinais de fraturas ósseas múltiplas e deficiência endócrina, com inchaço dos membros; vários cães estavam prostrados e apáticos; os cães apresentavam níveis de estresse. Alguns estavam amarrados sem sequer conseguirem dar um giro de 360º, enquanto outros se encontravam em estrutura a céu aberto e isolados com cerca elétrica.”

O MP sustenta ainda que os dois homens, que vivem em união estável, já teriam administrado outros canis no Estado, em Rancho Queimado e Santo Amaro da Imperatriz, de onde saíram após as primeiras denúncias sobre maus-tratos de animais. O homem mais velho, no transcurso do processo, chegou a aventar a possibilidade de mudar residência para o Espírito Santo, de onde ele vem.

“Tais fatos são, sim, indicativos de risco concreto de reiteração criminosa e da necessidade de garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal”, resumiu o desembargador Getúlio ao denegar o habeas corpus, em voto que foi seguido de forma unânime pelos demais integrantes daquele órgão julgador. O casal, até nova deliberação, seguirá segregado durante a tramitação do processo.

Entre em nosso canal do Telegram e receba informações diárias, inclusive aos finais de semana. Acesse o link e fique por dentro: https://t.me/portalnotisul

Fonte: Folha Regional