#Pracegover Foto: na imagem há pessoas, pacotes de absorventes e um balcão
#Pracegover Foto: na imagem há pessoas, pacotes de absorventes e um balcão

Ato corriqueiro para a população feminina em período menstrual, a compra de absorvente descartável não é acessível para mulheres que vivem em situação de vulnerabilidade social. Pensando na rotina de higiene de jovens e mulheres em situação de fragilidade financeira, a vereadora de Capivari de Baixo, Beatriz Alves, a Bia, idealizou uma campanha e mobilizou um grupo de pessoas para a arrecadação de absorventes higiênicos descartáveis que foram entregues nesta sexta-feira (17) para o Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente (Ceaca).

A iniciativa atenderá as adolescentes da instituição que atende crianças e adolescentes do município em situação de vulnerabilidade social. Foram arrecadadas 3.224 unidades de absorvente pela campanha de combate à pobreza menstrual. “Com muita alegria  entregamos nesta sexta-feira 3.224 absorventes ao Ceaca. Os produtos serão incluídos no kit de higiene que as famílias receberão neste sábado. Os demais serão para uso das meninas no Ceaca. Realizamos uma campanha de aproximadamente dez dias, pouco espaço de tempo, mas no final deu tudo certo. Quero agradecer a todos que contribuíram com a ação”, comemora Bia.

Foram disponibilizados três pontos de arrecadação dos produtos. As doações de kits de higiene foram entregues na Loja Mere Modas, na Tamires Studio Hair e no gabinete da vereadora Bia Alves. Foram aceitos pacotes de absorvente de qualquer marca ou tamanho.

Bia destaca que para quem sempre teve os absorventes em estoque, cogitar que alguém pode não ter acesso ao item pode parecer impensável. Mas infelizmente a realidade é outra para muitas meninas e mulheres do município. “No dia que participei da reunião do Rotary e presenciei as entregas dos itens para montar o kit de higiene pude perceber que em muitos locais estava faltando o item básico para as meninas e mulheres. A mulher não faz o uso do produto por opção, mas sim por necessidade. Naquele momento me prontifiquei em fazer esta campanha”, conta.

Conforme o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 4 milhões de meninas brasileiras não têm acesso a itens de cuidados menstruais e uma a cada dez deixa de assistir aulas quando está menstruada. Outra pesquisa, realizada pelo Girl Up Brasil, movimento global da Fundação das Nações Unidas voltado à igualdade de gênero que já apoiou mais de 150 grupos de meninas em mais de 20 Estados brasileiros, aponta que uma a cada quatro adolescentes brasileiras não tem condições financeiras de comprar absorventes.

A pobreza menstrual, não significa apenas a falta de acesso a absorventes descartáveis ou não, porém também a ausência de saneamento básico, água e infraestrutura de higiene nas casas e nas escolas, além da desinformação sobre o próprio corpo. Estudos apontam que, no Brasil, 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro no domicílio. Além disso, pelo menos 116 mil meninas dependem de doações para ter absorventes.

Com mais da metade de população composta de mulheres e parte delas, vivendo em situação de rua ou integrante das classes sociais mais baixas, muitas vezes é preciso recorrer a qualquer outro material para fazer as vezes de absorvente. Na chamada pobreza menstrual há relatos do uso de sacolas plásticas, pedaços de papelão, retalhos, algodão, miolo de pão, jornais e toalhas para conter o sangramento.

Em maio, as parlamentares de Capivari de Baixo, Bia Alves, Edcarla Bittencourt e Heloísa Cardoso apresentaram na Câmara, o Projeto de Lei que promove a dignidade menstrual e prevê o fornecimento gratuito de absorventes higiênicos no município. Os legisladores aprovaram o projeto na Câmara Municipal e em agosto o prefeito Dr.Vicente Corrêa Costa sancionou a normativa.

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