Há três dias, uma forte nevasca atinge a região da Cordilheira dos Andes, entre a Argentina  e o Chile, e deixa carros particulares, caminhões e ônibus de turismo impossibilitados de seguirem viagem. O fenômeno histórico iniciou no sábado (9), quando a temperatura no local estava abaixo de -10 °C e o posto fronteiriço precisou ser fechado, por volta das 14h.

O tráfego de veículos e pessoas está fechado em ambos os lados da fronteira entre a Argentina e o Chile, dada a situação meteorológica desfavorável. Há cerca de 300 pessoas de diversas nacionalidades. No grupo parado há vários motoristas catarinenses.

O caminhoneiro Luiz Carlos Marques da Silva, de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, conta que após ficar parado no congestionamento, o exército chileno o levou para um abrigo, nesta segunda-feira (11).  “Faltam 12 km para chegar na fronteira com a Argentina, mas a nevasca apertou de um jeito que não teve como seguir viagem. A polícia mandou descer de novo, mas não deu tempo”, conta.

Silva saiu de Chapecó no último dia 2 de julho, carregou o caminhão na Bahia e descarregou em Santigo, na capital e maior cidade do Chile, depois seguiu viagem em direção a Argentina, mas precisou abandonar o veículo a poucos quilômetros da fronteira. Ele afirma que está recebendo comida, água e toda a assistência necessária do governo chileno.

“Os caminhões estão todos enterrados na neve, por que foi a pior nevasca desde 2013. Estamos em um colégio do Chile, com entorno de 250 motoristas. São de 12 a 15 pessoas em cada sala.” Segundo ele, não há previsão de liberação. “Todos estão se ajudando na limpeza, higiene pessoal. Também deram comida para nós. Que tinha pouca roupa eles providenciaram.”

No momento em que a tempestade se agravou no sábado, havia mais de 300 veículos retidos no trecho que liga os dois países. Segundo autoridades, não era possível seguir viagem por causa do nevoeiro e do acúmulo de neve.

“Isso produz um acúmulo de veículos de todos os tipos: transporte de carga, turismo internacional e doméstico e veículos de passageiros. E em situação de tempestade com vento branco, gera deficiências no trabalho das rodovias porque o número de veículos não foi previsto. Enquanto o trânsito está parado, a nevasca avança”, disse o coordenador do posto fronteiriço, Eduardo Yaya, ao “La Nación”.

Caminhões rodoviários tiveram que liberar as rotas para permitir o resgate, que, de acordo com o jornal Clarín, foi iniciado com veículos que conseguiam seguir viagem nas condições da estrada.

A previsão é de tempo parcialmente aberto na terça-feira (12), mas na quarta-feira (13) deve voltar a nevar. No sábado (16) e domingo (17), é esperado que a nevasca cesse. “Ficou caminhão por toda parte da cordilheira, eu fiquei na curva 19. Esperamos que passe logo para subirmos e seguir para o Brasil”, finaliza o catarinense.

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Fonte: NDMais