#ParaTodosVerem Na foto, um casal sorridente
Anderson e Sandra estavam passeando com a moto comprada recentemente pelo Planalto Norte do Estado. Na volta, eles foram atropelados pelo caminhão. Ela faleceu no dia seguinte e ele só sobreviveu porque conseguiu se segurar na cabine do veículo por 32 quilômetros - Foto: Arquivo Pessoal | Divulgação

O motorista de caminhão acusado de colidir na traseira de uma motocicleta e arrastá-la por 32 quilômetros no Litoral Norte de Santa Catarina foi condenado na noite desta quinta-feira (9) a 14 anos de reclusão pelo Tribunal do Júri da Comarca de Itajaí. A sessão, presidida pelo juiz substituto Luiz Fernando Pereira de Oliveira, durou mais de 10 horas. O réu, na época com 36 anos, foi condenado pelo homicídio doloso (dolo eventual) da passageira, Sandra Aparecida Pereira, de 47 anos, e pela tentativa de homicídio qualificado contra o piloto e marido de Sandra, Anderson Antônio Pereira, de 49 anos. O motorista também foi processado por deixar de prestar imediato socorro à vítima e conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada.

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o homem dirigia o caminhão sob influência de substâncias psicoativas. Depois de provocar a batida e ver Sandra voar sobre o caminhão, ele continuou o trajeto, arrastando a motocicleta por 32 quilômetros. Anderson conseguiu se pendurar à cabine do veículo. Ele ficou ferido, mas se recuperou. A decisão é passível de recurso junto ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) e o processo tramita em segredo de justiça.

Crime foi gravado por outros motoristas
A colisão foi registrada por volta das 16 horas do dia 6 de março de 2021, um sábado, no km 106 da BR-101, em Penha. Sandra e Anderson voltavam de um passeio de moto por Campo Alegre, no Planalto Norte, quando foram atingidos pelo caminhão. Sandra voou por cima do veículo e caiu sobre a pista. Ela ficou gravemente ferida, inclusive com rompimento dos rins e pulmões. A mulher chegou a ser socorrida com vida, mas faleceu no dia seguinte no Hospital Marieta, em Itajaí. Anderson conseguiu se pendurar à cabine do caminhão, que seguiu em alta velocidade, mesmo com a motocicleta engatada no parachoque dianteiro. O homem sinalizou insistentemente para que o motorista parasse, mas ele não só não atendia ao pedido como ainda tentava derrubá-lo.

O caminhão parou apenas próximo ao Morro do Boi, já em Balneário Camboriú. Um outro caminhoneiro conseguiu fazer o veículo reduzir a velocidade e a mangueira de ar dos freios foi puxada por pessoas que estavam próximas. Somente assim o veículo parou totalmente. No momento da abordagem, alguns usuários da via chegaram a agredir o motorista do caminhão. Anderson foi internado no Hospital Municipal Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú. Ele não sofreu ferimentos graves, mas entrou em estado de choque e precisou de cuidados médicos. Toda a cena foi gravada por outros motoristas que trafegavam pela rodovia naquele dia e impressionam pelo fato de que o caminhoneiro vê Anderson pendurado e acelera cada vez mais o veículo ao invés de para-lo.

Texto: Zahyra Mattar | Notisul

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