Amanda Menger
Tubarão

Só as folhinhas do calendário mudaram, porque o clima na câmara de vereadores de Tubarão continua o mesmo do início do ano: fechado, quente e sujeito a trovoadas. No reinício dos trabalhos, segunda-feira, uma nova tempestade. De um lado, o presidente da câmara, João Fernandes (PSDB), Do outro, o vereador Deka May (PP). Em discussão, um pedido de retratação às declarações de Deka em uma entrevista.
“Ele (Deka) levantou suspeitas sobre a conduta de um vereador. Queremos que ele aponte quem é. A retratação foi um pedido da mesa diretora. Deka falou do legislativo e queremos explicações”, diz João.

Deka já estuda formas de não cumprir a retratação. “O regimento interno privilegia a mesa diretora, mas vou me defender. Não disse nenhuma mentira, realmente houve um acordo para a eleição do presidente. Prefiro perder o meu mandato a ter que me submeter a algo que contraria as minhas convicções”, dispara Deka.

O vereador Dionísio Bressan (PP) saiu em defesa de Deka. “Estão querendo crucificá-lo. Onde está o direito a liberdade de expressão? Já imaginou se formos pedir retratação de tudo o que João falar?”, alfineta Dionísio. Outro que saiu em defesa de Deka foi o vereador Haroldo Silva (PSDB), Dura. “Essa retratação abre um precedente para que qualquer coisa que se fale tenha um desdobramento destes. Censura é um sério problema. Temos que ter espaço para discutir ideias”, diz Dura, em um tom mais conciliador.