Tubarão

A criação de uma agenda de medidas para prevenir e minimizar os impactos provocados pelos cheias foi a tônica do seminário 35 anos da enchente de 1974, ontem, no auditório da Amurel, em Tubarão. O prefeito de Tubarão, Manoel Bertoncini, enfatizou a necessidade de iniciativas que evitem, ou pelo menos minimizem, os prejuízos causados por catástrofes climáticas.

O prefeito de Lauro Müller, Hélio Luiz Bunn, abriu os debates com um relato das cheias que atingiram o município em 1971 e 1974. Por meio de fotos da época, relembrou o drama que viveu ao ver a casa de sua família destruída pela enchente. O historiador Amadio Vettoretti também mostrou fotos e falou dos aspectos históricos do desastre.

Com o tema A Catastrófica Enchente de Março de 1974 – Fatores e Medidas, o economista José Müller enfocou os aspectos que contribuíram para o desastre. “Nos dias que antecederam a catástrofe, em apenas 36 horas, choveu o equivalente ao volume de quatro meses”, salientou.

O doutor em geologia João José Bigarella fez um levantamento das condições geológicas da região que propiciam a ocorrência de inundações. Profundo pesquisador da área, com inúmeros livros e artigos científicos publicados, o palestrante fez um alerta às autoridades pedindo mais atenção às condições geológicas, pois conhecê-la é fator primordial para prevenir novos desastres.

O doutor em hidrologia Masato Kobyama, da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), especialista em desastres naturais, acompanhou as últimas inundações em todo o estado e explicou as diferenças entre desastres hidrológicos e humanos. Para ele, o principal problema de Tubarão não está somente na cidade, mas sim nos municípios vizinhos. “Tubarão precisa preocupar-se, acima de tudo, com o que ocorre nas cidades que compõem a bacia hidrográfica, pois recebe grande carga de dejetos. Portanto, são necessárias ações coletivas, caso contrário, de nada adiantará e o município sofrerá constantemente com as inundações”, enfatizou.