Wagner da Silva
Braço de Norte

Optar por trabalhar com objetivos sociais e humanos não é algo fácil, já que os fundos para garantir o andamento de projetos, geralmente, são difíceis de conquistar. Mas este exercício que necessita de força, fé e persistência traz muitas realizações pessoais.

Este trabalho é realizado pelas irmãs do Instituto Brasileiro Coração de Jesus, Benardete de Lurdes da Silva e Veronilda de Oliveira, junto ao povo chamado Macua, em Moçambique, país africano.
Em férias no Brasil, especificamente no instituto de Braço do Norte, as duas buscam apoio financeiro para a compra de uma área para disponibilizar um local para abrigar 24 meninas. No instituto são desenvolvidos vários projetos, que envolvem cerca de 60 crianças.

Aulas de datilografia, liderança das comunidades, catequéticas, teologia e pedagogia, além de saúde alternativa e questões de higiene são alguns trabalhos desenvolvidos. “A cultura deste povo é muito diferente da nossa. Trabalhamos com as mulheres e jovens para ensinar, desde cedo, formas de prevenção à saúde e à vida”, explica Veronilda.

O trabalho iniciou em parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com outras irmãs em 2002. “De tempo em tempo, as pessoas são substituídas, uma forma de dar oportunidade ao desenvolvimento pessoal de maior número de indivíduos”, explica Bernardete.

As questões culturais e
climáticas de outro país

As irmãs do Instituto Brasileiro Coração de Jesus, Benardete de Lurdes da Silva e Veronilda de Oliveira, que estão em férias em Braço do Norte, contam que a cultura do povo Macua, em Moçambique, é rica, mas não esclarece os motivos das doenças e as questões higiênicas, por exemplo.
“É interessante ver como são inocentes, primitivos, como valorizam a cultura. Por outro lado, temos que ajudar já que, para eles, os médicos são a origem das doenças. Eles fazem a comida e alimentam-se no chão, o que é ruim para saúde e também prejudica as questões de higiene”, destaca Veronilda.

Segundo Bernardete, o clima semi-árido e quente faz com que a água seja escassa – culturalmente são as mulheres que buscam a água e caminham cerca de 20 quilômetros para abastecer seus baldes -, e as pessoas tenham mais dificuldade em alimentação, o que traz graves problemas de saúde e castiga as comunidades. “Nosso clima é bem diferente. Eles passam dificuldade, sem que ninguém olhe para eles. Nossa atividade vai de encontro a isso. Buscamos formas de promover sua sustentabilidade, como através da educação, dos bons modos, coisas que não são oferecidas pelos governantes”, ressalta.

Apesar disso, as duas irmãs contam que a felicidade é espontânea. “Eles não perdem o sorriso, a música e a alegria. É interessante e gratificante ver a mudança, a transformação na consciência das pessoas. Fomos bem recebidas e queremos continuar com este trabalho”, enfatiza.

Aquisição de um local para
o instituto em Moçambique

Segunda as irmãs do Instituto Brasileiro Coração de Jesus, Benardete de Lurdes da Silva e Veronilda de Oliveira, o espaço para instalação de uma raiz do Instituto Coração de Jesus, que abrigar inicialmente as 24 jovens, já foi avaliado em R$ 152 mil. “Fica próximo à escola e outros elementos importantes para evitar gastos. O objetivo é que elas possam ter acesso aos estudos, ao desenvolvimento cultural e pessoal”, explica Veronilda.

Ela ressalta que a realidade não poderá ser mostrada, mas faz o apelo às pessoas “para que ajudem nesta conquista”. “Apesar do desafio, na educação e da falta de recursos, inclusive humanos, queremos proporcionar a mudança a estas pessoas que sobrevivem com menos de R$ 10,00 por mês”, acrescenta.

Serviço
Para os interessados em ajudar na mudança, o contato deve ser feito pelo telefone 3658-2143, com irmã Salete.