Wagner da Silva
Braço do Norte

Os cães abandonados permanecem como tema de constantes discussões entre os protetores de animais, que esperam do poder público uma solução para que os bichinhos sejam retirados das ruas.

Enquanto não há mudanças, muitas pessoas adotam os cãezinhos. É o caso do ‘vira-lata’ Fox ou Bob, como é chamado. O animal possui dois nomes, um para cada área em que transita, e apareceu nas ruas próximas ao colégio Dom Joaquim. O bichinho chamou a atenção de moradores e empresários, que formam uma legião de fãs.
Independente como todo cão de rua, Fox passeia pelas ruas de Braço do Norte. Mas há lugares em que não deixa de passar para almoçar, descansar ou receber um lanchinho. E é sempre nos mesmos lugares, como se soubesse dos perigos.

O administrador Elton Heidemann afirma que o cão aparece regularmente em seu estabelecimento. “Ele tem passagem livre. Mas quando a porta está fechada, ele é educado e bate para poder entrar. Depois, fica em uma área embaixo do ar condicionado para refrescar-se. Quando esfria muito, muda de lugar”, conta.
Segundo Elton, histórias hilárias não faltam, como o dia em que o cachorro ficou trancado no escritório. “A gente saiu para o almoço e ele estava embaixo de uma mesa. Fechamos o escritório e o esquecemos. No retorno, ele estava da mesma forma, dormindo”, lembra.

Outro caso interessante é contado por Marcio Wittinrich, dono de um pet shop. O proprietário retira os animais das ruas, oferece banho, trata as doenças e deixa-os para adoção. Entretanto, alguns cães voltam para a rua. “Procuro fazer a minha parte, cuidar dos cães para evitar problemas de saúde. No caso do Fox, dou banho nele quando encontro, mas muitas pessoas chegam e pagam pelo serviço, como se o cachorro fosse deles”, destaca.

Marcio explica ainda que as pessoas ficam com pena de adotá-lo. “Alguns dizem que ficariam com pena de vê-lo preso, assim cuidam dele, mas o mantêm solto. Se tivesse condições, faria isso, porém, é meu ganha-pão. Gostaria que dessem atenção a estes animais”, pede.

O bem-estar dos animais de rua

A família do administrador Elton Heidemann, de Braço do Norte, tem vários cães encontrados nas ruas, caso do Fox e da Matilde, outra vira-lata. “Somos ligados aos cães e procuramos cuidar deles. Alguns apareceram, demos carinho e os bichinhos ficaram com a gente”, conta. Elton fica indignado com aqueles que largam os animais nas ruas. “Eles não nasceram ali, possuem uma história de abandono e isso é o mais triste. É um absurdo. Ao soltar o animal, você cria um problema social difícil de resolver”, enfatiza o administrador.

Mesmo após perder a mascote, a cocker Brenda (na foto) de seis anos, que foi atropelada, o proprietário do pet shop, Marcio Witthinrich, diz que gosta muito dos animais e procura sempre tratá-los com atenção. “Brenda era um cachorra de rua, vivia solta perto da loja. Cuidei dela, mas infelizmente se foi. Procuro cuidar dos animais de rua. Em muitos casos, trago para a loja, dou banho, tosa e deixo alguns dias por aqui para ver se alguém adota”, relata. Marcio admite que não dá para atender todos, mas quando se quer mudar uma realidade, a união faz acontecer. “Se houvesse interesse dos órgãos públicos, muitas pessoas colaborariam para tirar estes animais das ruas”, acrescenta Marcio.