#ParaTodosVerem Na foto, a fachada do edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília
- Foto: Marcello Casal Jr | Agência Brasil | Divulgação

Pelo segundo ano consecutivo, a inflação vai estourar o teto da meta, reconheceu nesta quinta-feira (30) o Banco Central (BC), quando apresentou o Relatório de Inflação do segundo trimestre. Segundo a instituição, a chance de a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superar o teto da meta em 2022 subiu de 88% em março para 100% em junho. Para 2023, a probabilidade de o IPCA ultrapassar o teto da meta subiu de 12% para 25%. Para este ano, a meta para o IPCA está em 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Dessa forma, a inflação poderia ficar entre 2% e 5% neste ano. O relatório estima que o IPCA atingirá 8,8% até dezembro.

Um valor bem acima do que era especulado até então. Os percentuais refletiram no mercado ao longo do dia e preocupam os investidores. Não por acaso, a Ibovespa termina junho com pior desempenho mensal desde março de 2020. No último dia do mês, houve queda livre aos 98 mil pontos, reflexo do medo de recessão. A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que para 2023 estabeleceu meta de 3,25% para o IPCA, também com 1,5 ponto percentual de tolerância. Dessa forma, o índice poderá fechar o próximo ano entre 1,75% e 4,75%. O BC projeta que a inflação oficial ficará em 4% em 2023 e 2,7% em 2024.

Carta explicativa
Quando o IPCA supera o teto da meta ou fica abaixo do piso, o BC é obrigado a escrever uma carta pública explicando as razões. O órgão fez isso no início do ano, após o IPCA de 2021 atingir 10,06%, o maior desde 2015 e bastante acima do teto de 5,25% para o ano passado. Na ocasião, o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, atribuiu o estouro do teto da meta à falta de insumos decorrente da pandemia da covid-19, à alta das commodities (bens primários com cotação internacional) e à crise hídrica que elevou as contas de energia em 2021.

O principal caminho para o Banco Central controlar a inflação é por meio da taxa Selic (juros básicos da economia), definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo a ata da última reunião do Copom, que fixou a Selic em 13,25% ao ano, o órgão está mirando o cumprimento da meta em 2023, e os juros poderão ficar altos por mais tempo que o previsto.

Demais projeções
O Banco Central projeta que o Produto Interno Bruto (PIB – a soma das riquezas produzidas no país) crescerá 1,7% em 2022, contra previsão anterior de 1% que constava no relatório de março. A projeção de superávit da balança comercial subiu de US$ 83 bilhões para US$ 86 bilhões. O volume de crédito bancário crescerá 11,9%, contra previsão anterior de 8,9%, e a estimativa de superávit das contas externas caiu de US$ 5 bilhões para US$ 4 bilhões.

Fonte: Agência Brasil
Edição: Zahyra Mattar | Notisul

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