Cíntia Abreu
Tubarão

De julho a setembro, o litoral central catarinense é consagrado com belas imagens. A visita de baleias franca que fazem do local um berçário faz com que o turismo da região entre Garopaba a Laguna aumente consideravelmente. Por trás das visitas dos animais, existe um grande aparato de pesquisa com o objetivo de a cada ano evoluir ainda mais nos estudos da espécie.

Desde a década de 80, com a realização de campanhas contra a caça da baleia franca, os mamíferos só vêm ganhando. São cerca de 22 anos de monitoramento por parte do Projeto Baleia Franca. “Conseguimos realizar um trabalho com sucesso. Hoje, os turistas estão conscientes da importância da conservação do animal, não somente para a economia, como também para o ecossistema”, ressalta a diretora de pesquisa do PBF, Karina Groch.

A baleia, como o ser humano, às vezes, prefere mudar de ares. Exemplo disto é a aparição da baleia Troff na região da Argentina até a década de 90. Depois disto, os pesquisadores argentinos cogitaram a morte do animal. “Ela ficou por dez anos desaparecida naquela região, e retornou este ano. Graças aos trabalhos de comunicação das instituições de pesquisa, eles (os argentinos) puderam verificar que ela havia escolhido o Brasil como berçário”, explica Karina.

A bióloga conta que oito mil baleias franca existem nos mares do hemisfério sul. Destas, 400 estão cadastradas no projeto. “No período pré-caça, contávamos com cerca de 100 mil animais no mundo”, acrescenta Karina.
A expectativa do PBF é que esta temporada seja recorde em relação ao número de animais. Até agora, nesta temporada (que segue até novembro), 61 mamíferos, foram avistados – dos quais 20 eram filhotes. As fêmeas têm um filhote a cada três anos.

A economia também
é privilegiada

A escolha do litoral brasileiro, especificamente o sul de Santa Catarina, como berçário das baleias franca, faz com que a espécie aumente há décadas. Com isso, as cidades litorâneas também ganham economicamente. O secretário de turismo da prefeitura de Imbituba, Antônio Clésio Costa, conta que o turismo de inverno tem um acréscimo de 20% a 30% na época de procriação. “Procuramos melhorar a infraestrutura a cada ano. Este ano, por exemplo, estamos estudando a construção de um mirante na praia da Ribanceira, para melhor atender o turista e não prejudicar o ecossistema”, argumenta Clésio.

A bióloga e doutora em biologia animal, diretora de pesquisa do Projeto Baleia Franca, Karina Groch, explica que o litoral catarinense é escolhido pelos animais por ter enseadas calmas e propícias para a proteção dos filhotes.
Na opinião de Karina, é importante a conscientização do ser humano para a continuação da espécie. “Temos que lembrar que elas são mães, e se não as respeitarmos podemos ser atacados. Mães defendem seus filhos com unhas e dentes”, ressalta Karina.

A diretora de pesquisa faz parte da Comissão Internacional da Baleia Franca, que todo ano participa do encontro mundial das instituições. “No mês de junho, fui à Ilha da Madeira, onde especialistas do mundo inteiro puderam trocar informações sobre a espécie”, lembra Karina.