Laguna

O segundo procedimento de eutanásia na baleia franca encalhada há uma semana na praia de Itapirubá, em Laguna, foi bem sucedido. A aplicação dos medicamentos foi feita na madrugada de ontem. Pela manhã, começou a ser feito a necropsia no corpo do animal de 15,80 metros e peso entre 40 e 50 toneladas.

O material coletado (partes de órgãos e sangue, entre outras) será utilizado para posteriores pesquisas. A carcaça foi enterrada na região do encalhe. “Embora a morte corresponda a uma ocorrência natural no âmbito do ciclo de vida dos animais, foi angustiante para todos nós, principalmente por se tratar de uma espécie ameaçada”, lamenta Karina Groch, Ph.D. em biologia animal e diretora de pesquisa do Projeto Baleia Franca (PBF), ONG que luta em prol da espécie há 28 anos.

Toda a operação de tentativa de reboque da baleia e o detalhamento do procedimento de necropsia – informações sobre os tipos de medicamentos e as dosagens utilizadas – serão publicadas em revistas científicas especializadas.

O objetivo disso, explica a médica veterinária e doutora em patologia animal pela USP Cristiane Koslenikovas, é contribuir com a literatura mundial sobre o assunto.
O caso da franca de Itapirubá surpreendeu os pesquisadores, tanto pelo tempo que ela resistiu, quanto por ter sobrevivido a uma dose altíssima de medicamentos na primeira tentativa de eutanásia.

Entidades que integraram a
coordenação da operação

APA da Baleia Franca, Centro Mamíferos Aquáticos, Projeto Baleia Franca, R3 Animal e Unesc.

Entidades apoiadoras
Porto de Imbituba, Udesc, Laboratório Mamíferos Aquáticos (Lamaq) da UFSC, Capitania dos Portos de Laguna, Polícia Militar e Ambiental, Corpo de Bombeiros, prefeitura de Imbituba e de Laguna, Adventure Turismo, Reloc, Arivale/Copagro, Casa das Baterias, Instituto Baleia Franca e Base Cangulo/AGTA.

Cronologia do caso

7 de setembro
A baleia franca foi avistada no local por pescadores, que informam a Polícia Ambiental. O protocolo de encalhes da APA da Baleia Franca foi acionado. Os responsáveis verificaram que o animal mexia-se e poderia retornar sem ajuda, mas, aos poucos, perdeu forças e aparentemente deixou-se encalhar. Começaram as tentativas de resgate.

8 de setembro
A agitação marítima não permitiu a aproximação de embarcações para rebocar o animal.

9 de setembro
O corpo do mamífero foi levado ainda mais em direção à areia e ele entra em estado de choque. Passou a apresentar baixa frequência respiratória e pouco reflexo nas pálpebras. A Marinha descartou qualquer possibilidade de resgate em função das condições marítimas e do alto risco à integridade física da baleia.

10 de setembro
À noite, foi tentado o primeiro procedimento da eutanásia. O animal estava muito debilitado e não sobreviveria mesmo que conseguisse desencalhar.

11 de setembro
O animal resistiu à eutanásia. Amostras do borrifo foram coletadas a fim de se averiguar se havia patologias nos pulmões, que estavam entre as prováveis doenças pré-existentes que poderiam ter motivado o encalhe.

12 de setembro
Com a estabilidade dos sinais vitais, ainda que baixos, e a grande reserva de gordura – capaz de nutrir e hidratar a espécie por pelo menos três meses -, a equipe optou por um novo procedimento de eutanásia.

Segunda-feira
e ontem
Os medicamentos foram adquiridos segunda-feira. Contudo, por conta da maré alta, o procedimento foi feito na madrugada de ontem. O óbito da baleia foi declarado.