Laguna

Os biólogos e veterinários que acompanham o encalhe de uma baleia franca na praia sul de Itapirubá, em Laguna, tentarão uma nova forma de eutanásia no mamífero. O procedimento feito na noite da última sexta-feira não foi suficiente para o óbito do animal. Sábado, a baleia apresentou baixa na frequência respiratória e desde então se mantém estável.

A coordenação entrou em contato com especialistas de outros países, a fim de assegurar o que é melhor fazer: um novo procedimento de eutanásia ou aguardar que o animal morra naturalmente. A baleia está encalhada, muito próxima à faixa de areia, desde a manhã da última terça-feira.

Desta vez, serão usados outros tipos de medicamentos, mais potentes, e outras formas de aplicação. “Entretanto, além da burocracia, esta situação envolve ferramentas especiais e um alto custo. Mas estamos integralmente comprometidos a ir em busca de recursos que possibilitem abreviar esta situação”, afirma Karina Groch, Ph.D. em biologia animal e diretora de pesquisa do Projeto Baleia Franca (PBF), ONG que trabalha há 28 anos em prol da conservação da espécie.

Ainda no sábado, a médica veterinária e doutoranda em patologia animal pela USP Kátia Groch realizou o procedimento de coleta de amostras do borrifo (ar expelido pelos pulmões) da baleia, a fim de averiguar a existência de doenças pulmonares que podem ter motivado o encalhe do animal. Hoje, outros procedimentos de coleta estão previstos para a realização dos exames.

Condições de saúde pioram rapidamente

De terça a quinta-feira, foram feitas tratativas para rebocar o animal de volta ao mar. Contudo, um laudo da Marinha apontou que o resgate seria extremamente arriscado, pois a operação poderia causar lesões irreversíveis no animal. Ainda na quinta-feira, o mamífero entrou em estado de choque (para um humano, seria quase o mesmo que entrar em coma).

As condições de saúde do animal pioram rapidamente em função do seu tamanho (15,80 metros e peso entre 40 e 50 toneladas) e da duração do encalhe, o que diminui as chances de sobrevivência. Apesar disso, sabe-se que baleias com mais de dez metros que encalham vivas têm maior resistência e podem levar mais de quatro dias até que ocorra a morte natural.