Foto: Elvis Palma
Foto: Elvis Palma

A morte de botos da espécie Tursiops truncatus, conhecida como boto-de-tainha, no Sul catarinense, aumentou em 2019 e começa a preocupar os especialistas. Só em Laguna foram registradas nove mortes neste ano. Se continuar nesse ritmo, a espécie pode ser extinta em 20 anos.

Entre os botos mortos em 2019, três foram por causa de redes de pesca colocadas de forma irregular. Os outros seis não tiveram a causa da morte confirmada porque estavam em estado avançado de decomposição.

“O número que a gente consideraria razoável, digamos assim, de indivíduos que morrem por ano, no máximo de cinco indivíduos, seria 10% da população. Quando a gente atinge um número maior do que isso demonstra que algo está errado, que algo tem que ser melhor avaliado e que a gente precisa tomar algumas providências”, afirmou o coordenador do Projeto de Monitoramento de Praias, Pedro Castilho.

Só nesta semana, dois botos foram encontrados mortos. Um deles se afogou depois de se prender numa rede de pesca. Outro foi achado no mar. A mãe não se afastou do corpo do filhote e por isso os pesquisadores ainda não conseguiram fazer a necropsia para descobrir o que aconteceu.

Parte dos botos morre porque há pescadores que continuam colocando a rede de pesca de emalhe no rio Tubarão. Isso foi proibido neste ano depois da aprovação de uma lei municipal em Laguna. A pena para quem descumprir varia de um a três anos de prisão, ou pagamento de multa no valor de R$ 700 a R$ 500 mil. Mas a polícia confirma que a fiscalização não é feita como deveria.

“Nós atendemos as ocorrências dentro da medida do possível. A demanda é muito grande. Não cuidamos aqui só do ambiente aquático, temos várias ocorrências de várias situações e o nosso efetivo é um pouco reduzido”, afirmou o sargento da Polícia Militar Ambiental, Robson Vieira.