Wagner da Silva
Braço do Norte

A distribuição de fichas para atendimento de ortopedia no Hospital Santa Teresinha (HST), em Braço do Norte, gerou manifestações na manhã de ontem. Diariamente, são distribuídas 15 senhas para atendimento pelo SUS. E é preciso estar na recepção do hospital às 6 horas, quando é feito o cadastramento. Porém, a regra não é seguida à risca, segundo alguns pacientes.

Claudionei Schreiber aguardava com a esposa desde às 3 horas para conseguir atendimento ao filho de 6 anos. Ele era o quinto da fila, mas a ficha que recebeu tinha o número 11. “Esperamos na frente do hospital por todo este tempo e não seguem o que determinam. É injusto”, desabafa.

Juliana Floriano também enfrentou horas de espera e garante que outras pessoas foram atendidas logo que chegaram. “Elas dizem que é por ordem de chegada e avisaram algumas pessoas que não havia mais fichas, mas, pelo que vemos, não há controle, pois pouco depois uma menina chegou e foi atendida”, conta.

O mesmo caso é relatado por Edinaldo Montanha Ascari. Na última semana, ele sofreu um acidente e precisou retornar para ser atendido. “O ortopedista não pôde me atender na semana passada e pediu para eu retornar. Compreendi, e não me importo em esperar, só não concordo em ver outras pessoas que chegaram depois serem atendidas antes de muitas outras”, critica.

Administradora garante: funcionários seguem protocolo

A administradora do HST, Maria Celir Tenfen, a Zê, assegura que o atendimento de ortopedia segue um protocolo para os atendimentos, por ordem de chegada. Mas, como o hospital atende urgências e emergências, os casos mais graves têm prioridade.
Zê garante que não há reserva de fichas, como sugeriram os pacientes. “Não pré-agendamos o atendimento na ortopedia por considerar desumano. As maiores necessidades neste caso teriam dificuldades ao acesso do serviço. Então, resolvemos adotar o método utilizado hoje. É preciso a compreensão das pessoas”, afirma.

O caso da menina que teve preferência no atendimento, relatado pelos pacientes, foi justificado como de extrema necessidade pela administradora. “O caso foi isolado, não costuma ocorrer. A menina mencionada foi colocada em uma maca dentro do hospital, em razão do quadro clínico apresentado, uma vez que necessitava de cuidados especiais, sentada com os membros inferiores elevados ou deitada”, justifica. “Desta forma, como o espaço na recepção do Pronto Socorro é pequeno e não permite este tipo de acomodação, para maior conforto da paciente, foi retirada da sala de espera”, acrescenta.

O atendimento da ortopedia é feito às terças e quintas-feiras, com limite de 60 consultas por mês, conforme contrato com o Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, mediante a necessidade da população, o HST disponibiliza 30 atendimentos semanais, a fim de suprir esta carência.