Astra, em Braço do Norte, está fechada desde o começo do mês passado por falta de recursos para continuar os trabalhos.
Astra, em Braço do Norte, está fechada desde o começo do mês passado por falta de recursos para continuar os trabalhos.

Wagner da Silva
Braço do Norte

A diretoria da Associação Anselmo Tramontin (Astra), de Braço do Norte, Ministério Público e prefeitos do Vale promovem, nesta quinta-feira, uma nova reunião, na sede da Amurel, em Tubarão, para novamente negociar a reabertura da entidade. A Astra trata da recuperação de adolescentes com idade até 16 anos, com dependências químicas e psíquicas. O local está fechado desde o início do mês passado.

A suspensão dos trabalhos, após 11 anos é motivada pela falta de recursos, administrados através de convênios com prefeituras. Neste ano, apenas o executivo de Braço do Norte permanecia em dia com a instituição. No último mês, porém, a prefeitura informou que não haveria disponibilidade de recursos e o convênio foi suspenso temporariamente.

Com a instituição fechada e sem recursos, a opção encontrada para quitar a dívida, na ordem de R$ 19 mil, referente às rescisões de contrato, água e luz, entre outros, é o leilão do veículo de transporte dos internos. Isto é estudado juridicamente no momento. “Venderíamos a Kombi para saldar parte das dívidas, mas o patrimônio também poderia ter o mesmo destino se não houver novas parcerias”, aponta o presidente da Astra, Aron Voss Uliano.

O Ministério Público foi acionado porque, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, as prefeituras precisam trabalhar programas voltado ao combate às drogas. “Todos os municípios passam por este problema. Se fossem instalar o programa, teriam custos mais altos. Mesmo com a opção da Astra, ainda há a visão negativa de apoio”, lamenta Aron. O presidente lembra ainda que foram realizadas quatro reuniões a respeito do fechamento da Astra. Em uma delas, as equipes convidadas não compareceram.

Funções e programas
A Astra possui capacidade para atender simultaneamente 14 adolescentes, com acompanhamento 24 horas por dia de médicos, psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, pedagogos, todos com especialidade na área de dependências químicas e psíquicas.
Apesar de ser a única instituição não governamental do estado a prestar este tipo de serviço social, a entidade sobrevive dos convênios, subvenções e doações, geralmente feitas na própria comunidade, através de parcerias em evento.

Opções de programa foram apresentadas às administrações municipais. O primeiro projeto, para atender os adolescentes, foi rejeitado por conta do custo: R$ 45 mil. O segundo, apenas para manter a entidade aberta e disponibilizar o acompanhamento profissional, teria investimento total de R$ 20 mil (cerca de R$ 46,00 por dia para cada interno). Este também foi rejeitado.