Wagner da Silva
Grão-Pará

A proposta do asfaltamento da SC-439, que liga Urubici, primeiro município no alto da Serra do Corvo Branco, a Grão-Pará, na região do Vale do Braço do Norte, deverá contar com um investimento aproximado de R$ 100 milhões. A melhoria da estrutura da estrada poderá desafogar o tráfego de veículos com a Serra do Rio do Rastro, desenvolver o turismo rural, ecológico e de aventura, além de auxiliar o escoamento da produção da região das encostas da serra geral.

A pavimentação está dividida em três etapas. Os primeiros 20,643 quilômetros, entre Urubici e o alto da Serra do Corvo Branco, iniciaram em janeiro deste ano e, pelo cronograma, deve estar concluída em dois anos. Um levantamento de custo mostra que a obra receberá aproximadamente R$ 32 milhões em investimentos.

Enquanto as obras iniciadas caminham normalmente, as forças políticas do Vale, encabeçadas pelo prefeito de Grão-Pará, Valdir Dacorégio (PMDB), o Gogo, o secretário de desenvolvimento regional em Braço do Norte, Gelson Luiz Padilha (PSDB), e membros do conselho de desenvolvimento regional (CDR), seguem em busca da aprovação para que a segunda etapa – cerca de 9,5 quilômetros entre os dois extremos da serra – seja substituída pela terceira, cuja parte corresponde aos 24 quilômetros entre a Serra e Grão-Pará.

Padilha concorda com a substituição das etapas. Segundo ele, uma manutenção provisória na estrada está prevista para ocorrer em breve. “Será uma obra paliativa. Não resolverá o problema, mas garantirá a segurança dos motoristas até ser decidida esta questão do asfaltamento”, opina o secretário regional.

Segunda etapa depende
de licenças ambientais

Um dos argumentos para a substituição das etapas de asfaltamento é baseado nas questões referentes às liberações ambientais que podem atrasar o cronograma de execução. Outro motivo é a descaracterização da serra como ponto turístico. No primeiro projeto, era prevista a construção de um túnel de ligação entre as duas extremidades da serra. A opção não foi descartada.

O prefeito de Grão-Pará, Valdir Dacorégio (PMDB), o Gogo, defende que a terceira etapa da obra de pavimentação (da serra a Grão-Pará) seja feita no lugar da segunda (nas extremidades da serra). Para ele, a obra poderia seguir do outro extremo da SC-439 (entre Braço do Norte e Urubici). “É um trecho muito movimentado e para ter as licenças ambientais leva tempo. Por isso, tirar a terceira fase do papel antes da segunda é muito mais interessante para a região”, argumenta Gogo.

Manutenção na rodovia
continuará a ser feita

Enquanto o asfaltamento total da SC-439 é discutido, a secretaria de desenvolvimento regional em Braço do Norte, através da gerência de infraestrutura, promove melhorias no trecho entre Grão-Pará e a Serra do Corvo Branco, em Urubici. Na última semana, o secretário regional Gelson Luiz Padilha (PSDB) foi até a rodovia para vistoriar o trabalho de manutenção feito na estrada. Máquinas do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) fazem o alargamento, rampeamento (limpeza dos barrancos laterais) e lastreamento nos 24 quilômetros da rodovia.

Segundo Padilha, nos trechos com problemas maiores, será feito um trabalho de lastreamento e colocação de material, inclusive na Serra do Corvo Branco. “Contratamos uma empresa que fará uma espécie de recapeamento com material especial, para que os veículos não tenham problemas ao usarem a estrada”, anuncia Padilha.

Tráfego de caminhões
pesados danifica a estrada

Com a Serra do Rio do Rastro fechada para obras de manutenção de tempo em tempo, o trânsito de caminhões utiliza a Serra do Corvo Branco, em Urubici, como rota alternativa para acessar o planalto serrano catarinense ou o litoral, conforme o sentido em que o trajeto é feito.

O caminho torna-se uma verdadeira – e perigosa – aventura. Curvas fechadas e uma visão assustadora do vale não inibem motoristas de veículos pesados de utilizaram a serra como acesso para o transporte de hortaliças e leite, principalmente.
Independente do motivo, a circulação destes automóveis pela serra prejudica ainda mais a já debilitada estrutura da SC-439 neste trecho. Estrada estreita e esburacada são hoje um desafio. Caso do caminhoneiro Dorli Jorge Carvalho. Mesmo com aproximadamente 20 anos de estrada, o gaúcho de Santa Rosa esteve pela primeira vez na Serra do Corvo Branco. E não levará boa recordações do lugar.

Mesmo com o caminhão vazio, ao tentar fazer uma curva, o motorista ficou trancado em uma das curvas e precisou de socorro para poder arrastar o caminhão. A sorte de Dorli foi o intenso tráfego de caminhões de transporte de leite na rodovia. “Se não fosse a ajuda do colega, o tráfego ficaria trancado por muito mais tempo”, lamenta.