Uma doença desconhecida que abalou o mundo e gera muita discussão e dúvidas: a Covid-19. Os profissionais da saúde e pesquisadores são os mais responsáveis por essa árdua tarefa, além do maior risco que estão propensos.

No primeiro instante do seu aparecimento, as gestantes e puérperas não estavam no grupo de risco. Mas, a partir da segunda semana de abril, foram incluídas pelo Ministério da Saúde como risco de complicações para o coronavírus.

“Não temos estudos e análise de casos que comprovem o perigo maior de grávidas e puérperas apresentarem letalidade em um quadro grave da doença. Então essa medida é uma questão de prevenção e foi baseada em outros casos de vírus já estudados, como o H1N1”, esclarece a ginecologista Gabriela Weber da Silva, de Braço do Norte.

A médica alerta que, além de gestantes, também estão inclusas mulheres que deram à luz em até 45 dias (principalmente nos primeiros 15 dias após o parto, onde estão mais suscetíveis à complicação) e as que tiveram perda gestacional (15 dias após abortamento também podem apresentar mais risco de complicações).

Quanto às recomendações, a ginecologista reforça que as medidas de prevenção devem ser mais rigorosas. “A higiene deve ser primordial, principalmente quando em contato com o bebê. As gestante e puérperas devem se manter em isolamento social, assim como os outros grupos de risco. A higienização das mãos tem que ser constante, assim como a esterilização das bombas extratoras de leite e demais utensílios usados pelo bebê”.

Segundo Gabriela, a mulher deve conversar com o seu médico obstetra sobre o seu afastamento ou mudança da área de trabalho. Ela também orienta as mamães que tiveram seus bebês há pouco tempo. Em função da pandemia, as visitas estão proibidas em hospitais, e as recomendações são que seja o feito o mesmo em casa.

A insegurança com o surgimento da Covid-19
Assim que iniciou a contaminação, a médica conta que suas pacientes grávidas a procuraram. “Quase todas vieram tirar suas dúvidas comigo por meio das redes sociais e whatsApp, algumas também que não realizam o pré-natal aqui na clínica entraram em contato. Todas foram prontamente atendidas de forma online para manter sua segurança”.

As mulheres foram atualizadas sobre as informações da época (comprovadas cientificamente) e todas as precauções que deveriam ser tomadas para evitar contágio. “Também salientei a importância de manter a calma, equilibrar o emocional e cuidar da sua imunidade. Isso é fundamental, assim como priorizar a alimentação saudável, a atividade física, o sono reparador e o controle do estresse”, enfatiza.

Gabriela chegou a realizar o atendimento de uma gestante inicial com suspeita da Covid-19, porém como boa evolução e sem intercorrências para o feto ou a mãe.

Risco de transmissão para o bebê
Sobre os riscos de uma gestante transmitir o vírus para o bebê, a médica ginecologista traz a real situação. Conforme ela, até o início de abril os estudos indicavam que em nenhum caso no mundo havia ocorrido a transmissão vertical.

É quando a mulher está doente e transmite sua enfermidade intra-útero para o bebê durante a gestação ou no trabalho de parto. A análise é realizada através da placenta, líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, orofaringe dos recém-nascidos e leite materno.

“Porém, no dia 26 de março foi relatado o caso de uma mãe que estava com a Covid-19. A análise feita no recém-nascido mostrou que ele estava com o vírus presente. Este foi o primeiro caso em que mostrou sim, pode haver a possibilidade da transmissão vertical do vírus”, considera a médica.

Ela destaca que nessa situação não houve complicações, de forma que ainda não existem evidências para comprovar que possam ocorrer alterações fetais caso a Covid-19, por algum motivo, for passada através da gestação.

“Não há casos descritos de abortamento, perdas gestacionais ou malformação fetal. Até o momento também não há evidências de que a contaminação possa ocorrer com mais facilidade em algum momento específico da gestação”, reforça.

Futuras mamães com comorbidades
As futuras mamães de alto risco, que são as que apresentam comorbidades como diabetes, hipertensão e doenças autoimunes, devem manter os mesmos cuidados e medidas de prevenção das pessoas que estão nos outros grupos de risco. “É essencial que essas gestantes e também as que não apresentam comorbidades não devem ter suas consultas pré-natais interrompidas, elas devem ser feitas respeitando todas as medidas de higiene e prevenção”, alerta Gabriela.

A infecção por Covid-19 e o parto
Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em geral, a infecção por Covid-19 não é uma indicação para o parto, entretanto indica-se a antecipação do parto e a realização de cesárea no caso de gestantes que evoluam com sintomas graves ou críticos. Em gestantes com boas condições clínicas, sintomas leves e feto com boa vitalidade, o parto vaginal é seguro e recomendável.

A ginecologista também avisa que o ambiente hospitalar é o mais adequado para diminuir a morbimortalidade materna e perinatal, inclusive em gestantes assintomáticas e de risco habitual.

Cuidados após o nascimento
Até o momento, os estudos demonstraram que não houve presença de vírus no leite materno, então não há contraindicação para o aleitamento. “A orientação é que a mulher amamente de máscara, evite respirar diretamente em cima do bebê e mantenha as mãos higienizadas. No caso de ela não estar se sentindo bem pode realizar a ordenha do leite, retirando a quantidade necessária e deixando outra pessoa dar ao bebê”, recomenda.

A postura da ginecologista diante da doença
Quando surgiu o coronavírus, Gabriela buscou o máximo de conhecimento, analisou os estudos disponíveis e manteve um contato frequente com suas pacientes gestantes. “O médico, independente da área de atuação, em momentos da sua carreira, se sentirá impotente diante de certas situações. Com o amadurecimento aprendemos a manter o equilíbrio, e assim venho fazendo, buscando a tranquilidade, tomando todos os cuidados possíveis, estudando e me atualizando diariamente para fazer o melhor uso da medicina e auxiliar aqueles que estão ao meu alcance”.

As mudanças na rotina profissional e pessoal
Várias medidas de segurança foram tomadas no consultório em que a médica atua, como um período maior de tempo entre as consultas, a higienização constante de todos os ambientes e o uso de máscaras por todos os profissionais.

“Em minha vida pessoal precisei fazer algumas adequações. As atividades físicas, por exemplo, que eram constantes em locais abertos e academias, passaram a ser em casa. Diminuí o número de saídas, só quando necessário, e aumentei todos os cuidados com a higienização”.

Perfil profissional
Gabriela Weber da Silva nasceu em Montenegro (RS) e reside em Braço do Norte. A médica trabalha na Clínica CMD, em Braço do Norte.
– Formada em 2000 pela Universidade Federal de Santa Maria (RS)
– Residência Médica no Hospital Universitário de Santa Maria (RS)
– Residência Médica e título de especialista em ultrassonografia geral pelo Colégio Brasileiro de Radiologia
– Pós-graduação em Adequação Nutricional da Homeostase pela Uningá – unidade de São Paulo
Especialidades médicas: ginecologia, obstetrícia e ultrassonografia geral