Amanda Menger
Tubarão

A licença para o corte de 152 árvores localizadas nas margens do Rio Tubarão deve ser concedida pela Fundação de Proteção ao Meio Ambiente (Fatma) nos próximos dias. Finalmente, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) liberou a autorização que foi solicitada em maio pela prefeitura de Tubarão. O ofício foi enviado quarta-feira e protocolada ontem na Fatma.

No documento, a SPU garante que não há impedimentos para o corte das árvores e recomenda que o trabalho seja fiscalizado por um órgão ambiental. A autorização foi pedida pela Fatma, como uma precaução, para evitar novas ações judiciais. “Em 2004, a prefeitura e a Fatma foram processadas porque foram cortadas árvores próximo à ponte Dilney Chaves Cabral sem a licença do Ibama. Como as águas do rio sofrem a ação da maré, as margens seriam de responsabilidade da União e, por isso, precisavam de autorização federal”, esclarece o engenheiro agrônomo da Fatma, José Joaquim de Sant´Anna.

O trâmite agora é rápido. “Como conhecemos o projeto e só faltava este documento, acredito que logo será liberada a licença”, afirma o agrônomo. O que poderá atrasar um pouco é que a autorização precisará ser assinada pelo gerente regional da Fatma em Criciúma, pois o gerente em Tubarão, Cidinei Galvani, está em férias. “Se for preciso, vamos até Criciúma para adiantar isso”, propõe o engenheiro da secretaria de planejamento da prefeitura, Antônio Carlos dos Santos, o Caíto.
Entre as primeiras árvores que serão retiradas, estão três que ficam na avenida Getúlio Vargas, atrás do supermercado Angeloni. “Com as chuvas, a estrutura do solo ficou comprometida com o peso das árvores e elas correm risco de cair”, explica Caíto.

Pinturas
As árvores que serão retiradas estão numeradas. A identificação foi feita há mais de seis meses e, em algumas, as marcas estão desaparecendo. “Mas isso não é problema. Nós sabemos quais são as árvores. Todas estão catalogadas pela secretaria de planejamento da prefeitura”, assegura Caíto.

Recuperar margens custa R$ 1 milhão

A retirada de 152 árvores, autorizada pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), faz parte do projeto de recuperação das margens do Rio Tubarão. A idéia é revitalizar os taludes (terrenos em declive entre a rua e a calha do rio) com proteção especial e ainda o plantio de vegetação rasteira.

“O talude foi refeito pela prefeitura próximo à ponte Dilney Chaves Cabral, com contenção e o plantio de vegetação rasteira, ao custo de R$ 600 mil. Queremos fazer algo semelhante entre a ponte Manoel Alves dos Santos (Morrotes) e a Orlando Francalacci (quartel)”, explica o secretário de planejamento da prefeitura, Edvan Nunes.
A prefeitura catalogou 900 árvores (já contando com as 152 que serão cortadas). “As árvores são pesadas e o solo não tem estrutura para isso. A tendência é a árvore cair no rio. Só com o vento forte é que elas podem cair em direção à rua”, explica Edvan.

Para recuperar o talude, retirar as árvores, plantar vegetação rasteira e ainda outras árvores de pequeno porte nativas da região, é necessário um investimento de R$ 1 milhão. “Também enviamos este projeto ao Ministério da Integração Nacional. Neste valor, estão incluídos os recursos necessários para fazer o estudo de impacto ambiental, em torno de R$ 100 mil solicitados pela Fatma, para autorizar o corte de todas as árvores catalogadas”, revela Edvan.

Para o engenheiro agrônomo da Fatma, José Joaquim Sant´Anna, a retirada das árvores evita outros problemas. “Se a árvore cair na calha do rio, a correnteza poderá levá-la para próximo dos pilares das pontes, dependendo da vazão do rio ao se chocar com a ponte pode causar danos estruturais, além de represar a água, em períodos de cheia, isso é um grande problema”, alerta.