As crianças adoram o vovô Geraldo.
As crianças adoram o vovô Geraldo.

Karen Novochadlo
Braço do Norte

Quando se aposentou por invalidez, por causa de um problema na coluna, Geraldo Raymundo de Paulo, 71 anos, de Braço do Norte, entrou em depressão. Acreditava que não era mais útil à sociedade. Mas a pedido de um de seus 22 netos, ele começou a contar histórias e descobriu um dom.

E foi assim que nasceu “Vô Geraldo, O Contador de Histórias”! Ele iniciou com narrativas que o avô contava para ele. As histórias eram sobre um malandro que adorava pregar peças nas outras pessoas. Aos poucos, compilou tudo em um livreto, batido em uma velha máquina de escrever. Com o tempo o repertório aumentou. Geraldo incluiu contos que ele mesmo criou. Agora, já são cinco livrinhos escritos por ele, mas nenhum ainda publicado.

Vô Geraldo também criou um fórmula própria para contar e escrever suas histórias: “Sempre me coloco no lugar dos personagens na hora de criar histórias”, explica. Os contos, completa, não são somente feitos a partir de histórias fictícias.

“Falo para as crianças como era no passado, como eram os meios de transporte, a agricultura, a religião. Na minha época, por exemplo, o padre só vinha uma vez por ano em Rio Bonito (comunidade de Braço do Norte)”, detalha.

Hoje, Vô Geraldo é requisitado pela maioria das creches da cidade para contar histórias aos pequenos. No ano passado foram cerca de 40 visitas. Incansável, ele também tornou-se voluntário do Centro de Referência de Assistência Social (Cras). A depressão? Vô Geraldo nem sabe mais o que é isso: “Antes eu achava que só era útil quando trabalhava. Quando escuto alguém dizer isso, corrijo”, conta, orgulhoso.