Tatiana Dornelles
Tubarão

As estradas eram de chão batido, o rio Tubarão dava muitos peixes e apenas quatro carros circulavam pelas ruas da cidade. Um dos meios de transporte era a canoa, bastante usada para atravessar todo o rio e chegar à cidade vizinha Laguna, assim como os carros de boi (carroças). Esse era o cenário vivido por Ivo Valentin Cardoso, que completou ontem 100 de vida e muita história para contar.

Ivo nasceu no dia 19 de maio de 1908, na localidade de Praia Redonda, em Tubarão, onde cresceu e casou-se com Tomázia Rodrigues Cardoso, com quem teve dez filhos: Ana Zilda, Antonio, Braz, Zelma, Zenilda, Zoe, Zuleide, Norberto, Pedro e Valton. E o número da família é ainda maior: ele tem 21 netos, 13 bisnetos e um tataraneto, ou seja, vivencia a quinta geração.

Das histórias lembradas por ele, com carinho, está a do trabalho que desenvolvia. Desde jovem, Ivo saía de canoa, todos os dias, para transportar milho e feijão. “Eu remava até Laguna, onde entregava as sacas de milho e feijão. Havia muitas canoas naquela época. Por muito tempo, trabalhei na roça e levava cerca de 100 sacas por dia para a cidade de Anita Garibaldi”, conta com saudade.

Para levar comida aos filhos, Ivo tirava leite da vaca e pegava a tarrafa para pescar no rio Tubarão, além de cuidar da casa quando chegava do trabalho. “O rio dava muito peixe e hoje não dá mais nada”, compara.
Na localidade em que morava, quase não existiam casas e nem estrada. “Um caminho foi aberto até a Praia Redonda para os carros de boi passarem por aqui. Na época, havia apenas quatro carros na cidade. Hoje está como está”, lembra Ivo.

Além de ser atencioso com os filhos, Ivo era um lutador. “Ajudei a carregar pedras para a construção da Catedral e do edifício Dom Joaquim. O padre pedia para a gente fazer o serviço e fazíamos”, ressalta.
No que se refere à atualidade, Ivo, que sempre foi participativo na política tubaronense e peemedebista, analisa os presidentes que o país teve e considera: “Não há presidente como o Lula (Luiz Inácio Lula da Silva – PT). Tem gente que quer botar outro, não sei por que”, diz. Ivo parou de votar aos 95 anos.