Na linha de frente no combate à Covid-19, com médicos e outros profissionais da Saúde, os técnicos e auxiliares de enfermagem vivem uma situação desafiadora em vários aspectos. Nesse triste cenário, esses profissionais se tornaram ainda mais imprescindíveis, pois lutam, mesmo em situação de vulnerabilidade, para salvar vidas.

A técnica em enfermagem Denise Matos de Freitas, de Gravatal, que atua no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), em Tubarão, faz um desabafo e está extremamente preocupada com o momento atual e o que poderá ocorrer daqui em diante.

“Há uma grande revolta pela desvalorização dos profissionais que estão à frente da Covid -19. Os técnicos de enfermagem da Amurel ganham hoje um salário entre R$ 1,3 mil e R$ 1,5 mil. Muitos com anos de experiência estão pedindo demissão pela falta de motivação e de valorização. São pessoas que têm família, filhos”, lamenta.

Segundo Denise, há diferentes escalas, são 180 horas trabalhadas ao mês ou 220 horas. “Eles estão sobrecarregados, não querem arriscar sus vidas por esse valor. Há os que saíram por conta própria sem pagar o mês de aviso. Ninguém quer falar, mas estão faltando profissionais. É lamentável o que está acontecendo em nossa região e em muitos lugares do Estado e do Brasil”.

Para suprir essa necessidade, conforme a técnica, novas contratações são feitas. “Mas infelizmente muitos que estão entrando agora não possuem experiência, a população tem que saber disso, e pela mesma média salarial”, acrescenta, sem querer generalizar.

“Nossa responsabilidade é grande, se eu administrar uma injeção errada, posso matar uma pessoa. É de enorme importância que atuem profissionais capacitados. Estamos temerosos que a população fique sem isso. Cuidar de um paciente exige qualificação, amor, dedicação. E quanto à ampliação de leitos, quem vai trabalhar? Não vai haver progresso com a falta de profissionais e com um bom nível de experiência”, alerta.

Ela tem esperança que a situação mude o quanto antes, que haja uma valorização, e as autoridades responsáveis sejam mais ágeis em suas tomadas de decisões. “O que vivemos é bastante delicado, é ‘matar um leão por dia’. Que qualidade de atendimento vamos dar a essas pessoas, com muitos trabalhando sob pressão psicológica e física, e em péssimas condições salariais?”. Para Denise, um técnico de enfermagem teria que ter uma remuneração mensal de ao menos R$ 2,5 mil.

“Esta doença veio e não é brincadeira. Muitas pessoas ainda não se conscientizaram, é triste demais. Lamentavelmente, existem os que somente caem na realidade quando perdem um membro da família ou um conhecido próximo. Se cuidem, por favor, sigam as normas recomendadas”, finaliza. Denise tem 13 anos de profissão como técnica de enfermagem e há 10 anos trabalha no HNSC.

HNSC é o único que possui leitos de UTI pelo SUS para a Covid-19
Na abrangência da Amurel, as cidades que possuem hospitais são Imbituba, Laguna, Tubarão, Jaguaruna, Treze de Maio, Braço do Norte, Armazém e Rio Fortuna. Os pacientes com o coronavírus – dependendo de seu quadro de saúde – ficam internados nas enfermarias.

Quando há casos em que a situação se agrava, são transferidos para o HNSC, na Cidade Azul, o único da região que possui leitos de UTI para a Covid-19 pelo SUS. Em função disso, a instituição está com 100% de ocupação.

Amurel
Armazém, Braço do Norte, Capivari de Baixo, Grão-Pará, Gravatal, Imaruí, Imbituba, Jaguaruna, Laguna, Pedras Grandes, Pescaria Brava, Rio Fortuna, Sangão, Santa Rosa de Lima, São Ludgero, São Martinho, Treze de Maio e Tubarão.

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