Amanda Menger
Imbituba

As obras no Porto de Imbituba possibilitarão a ampliação do cais, o recebimento de embarcações maiores e o aumento na movimentação de contêineres. Mas o que isso significa efetivamente para a cidade e para a região? Tanto as obras quanto o embarque e desembarque de produtos no porto geram impostos. Parte destes valores fica diretamente na cidade, e parte volta com a redistribuição do bolo tributário.

Um dos impostos que fica no município é o que incide sobre serviços (ISS). Só neste ano, o incremento com o ISS pode variar de R$ 2 milhões a R$ 3 milhões, devido às obras no porto e à duplicação da BR-101. “O valor mensal que recebemos de ISS é muito inconstante. Tem meses que é R$ 130 mil, e outros que chegam a R$ 2 milhões”, afirma o prefeito José Roberto Martins, o Beto (PSDB).

Os recursos recebidos já têm destino certo. “Investimento na área de educação e de saúde. Hoje, já somos referência em educação, mas queremos melhorar ainda mais. É isso que fará a diferença no futuro”, argumenta Beto.
Com o crescimento do porto, outras vagas de empregos devem ser criadas. Hoje, 1,5 mil pessoas trabalham no local. A empreiteira Construcap, de São Paulo, já demonstrou interesse em adquirir uma área próxima ao porto, para implantar um estaleiro.

A intenção é construir plataformas para a exploração de petróleo no pré-sal. “Eles falam em 7,6 mil empregos e um investimento de R$ 2 bilhões. Mas, para consolidar isso, é preciso que eles vençam a concorrência que será promovida pela Petrobras. Isso será muito bom para Imbituba e para a região, já que outros empreendimentos poderão ser instalados para atender outras demandas, como comércio, restaurantes, construção civil, clínicas médicas e outras”, observa o prefeito.

Um novo momento para as Docas

A descoberta de jazidas de carvão na região de Lauro Müller e Criciúma por volta de 1870 é um marco para a história do sul catarinense. Imbituba está inserida neste processo, já que as condições geográficas passaram a ser exploradas com a construção de um porto em 1919, com apoio do engenheiro Henrique Lage. Em 1922, foi criada a Companhia Docas de Imbituba, tendo como diretor o engenheiro Álvaro Monteiro de Barros Catão. Em 1942, as Docas receberam a concessão do governo federal para explorar comercialmente o porto.

O período áureo do porto durou até o início dos anos 80, devido à exploração de carvão mineral. Com a abertura da economia brasileira na década de 1990, a indústria do carvão entrou em colapso, já que era muito mais barato importar o produto. Com isso, o porto também foi atingido. Ainda nos anos 90, o terminal de contêineres chegou a ser desativado, de tão fraco que era o movimento.

A crise que se abateu no porto dá lugar a um cenário promissor. Em 2004, a Docas mudou a administração e resolveu investir em um projeto de futuro: reformar e ampliar a capacidade de atracação. “A minha família inteira está envolvida com o porto. Meu bisavô, Domingos Pamato, foi um dos trabalhadores que ajudou a construí-lo. Meu pai e avô também trabalharam aqui. Eu comecei como auxiliar de contabilidade. Em 2003, convidaram-me para assumir a administração e não quis. No ano seguinte, resolvi encarar o desafio e hoje vejo as coisas mudarem. Ainda temos muito o que fazer”, relata o administrador do porto, Jeziel Pamato de Souza.

Terminal de contêineres

Uma das propostas era que o terminal de contêineres fosse operado por um concessionária. A licitação foi concluída em março de 2008. A vencedora do processo, a Santos Brasil, pagou, na assinatura do contrato, R$ 120 milhões. Os valores foram utilizados para pagar parte das dívidas, em especial a trabalhista. O restante dos débitos foi negociado.
Para se ter noção do quanto a situação da Docas mudou, em 2004, uma ação preferencial da empresa era negociada na Bolsa de Valores por irrisórios R$ 0,11. Ontem, as ações encerraram o pregão cotadas a R$ 1,07 cada.