sexta-feira, 25 setembro , 2026

Alunos do Ifsc desenvolvem guincho hospitalar para Apae de Orleans

Estudantes do curso de Engenharia Mecatrônica do Câmpus Criciúma do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) desenvolveram um guincho hospitalar elétrico para o uso na locomoção de pessoas com dificuldades motoras. O equipamento foi entregue à Apae de Orleans nessa quarta-feira, dia 22, e será usado no trabalho diário dos profissionais que atuam na instituição.

O guincho hospitalar é uma estrutura metálica utilizada em hospitais e instituições como a Apae para a transferência de pessoas com dificuldades motoras. Podendo movimentar o guincho para qualquer direção e subir e descer a barra superior de forma automática, o guincho oferece mais facilidade e evita possíveis problemas ergonômicos para os profissionais, além de proporcionar mais conforto e segurança para alunos e pacientes.

A estrutura é capaz de movimentar uma pessoa de até 80 quilos com segurança. Para exemplificar, o guincho pode ser usado para retirar uma pessoa com deficiência da cadeira de rodas até a cama para realizar exercícios, trabalho que normalmente precisa ser feito por mais de uma pessoa.

“Nós, que trabalhamos com pacientes pesados diariamente, sentimos a sobrecarga em nós mesmas. Para o paciente também tem a facilidade de ter mais segurança. Geralmente a gente tira em duas pessoas, da cadeira para colocar na cama, e vice-versa. O guincho vem para auxiliar nesta questão. Facilitar tanto o nosso trabalho, para a gente não se desgastar enquanto terapeuta, e para o paciente ter mais segurança na transferência”, explica Eduarda Borghezan, fisioterapeuta da Apae de Orleans.

Projeto Integrador

O equipamento foi desenvolvido ao longo de quatro meses por alunos de Engenharia Mecatrônica do Câmpus Criciúma do IFSC, na disciplina de Projeto Integrador, na qual os alunos aplicam os conhecimentos do curso em uma atividade prática. Orientados pelos professores Philippe Pauletti e Vilmar Bristot, os alunos da sexta fase do curso partiram de um projeto semelhante que havia sido realizado por colegas e entregue à Apae de Criciúma no final de 2018. Foram feitas adaptações e correções em relação ao projeto anterior: as barras agora são cilíndricas e os “pés” do guincho abrem e fecham, facilitando o transporte dentro da instituição e o acesso com cadeira de rodas. O guincho é todo desmontável, podendo ser levado para outros locais. A parte elétrica também foi modificada para dar mais segurança e eficiência ao equipamento.

“Nosso maior desafio era a responsabilidade. Em se tratando de pessoas, temos que ter um pé atrás, ter cinco vezes mais segurança no que estamos fazendo. Temos que entender que qualquer falha pode colocar a vida de alguém em risco. Esse foi nosso maior desafio”, resume o estudante Pedro Zimmermann, responsável pelo projeto ao lado dos colegas Gabriel Alves André, Gabryel Quaresma e Victor Vieira de Souza. “Demos o nosso melhor. Estudamos muito, fizemos muita pesquisa, muita conta para ver o peso, quanto cada barra suporta, além de toda a parte elétrica”, relata.

Para o professor Philippe Pauletti, atividades como essa são uma oportunidade de os alunos vivenciarem na prática o que é o trabalho de um engenheiro, do desenvolvimento de projeto à supervisão de sua execução, precisando encarar desde os cálculos até a parte burocrática. Além disso, o trabalho com uma instituição assistencial ajuda a ampliar o leque de atuação dos futuros profissionais.

“Além do crescimento profissional para o aluno, também tem a parte social, que foi a parte de conseguir atender a uma entidade beneficente, vendo o resultado na prática. Em um projeto semelhante, um aluno nos disse que quando entrou na Engenharia jamais imaginava que fosse fazer um trabalho fora da indústria, que fosse voltado para outra coisa, como exemplo uma entidade beneficente. A gente abre um leque. Não necessariamente eles vão sempre trabalhar para indústria. Engenharia é maior do que isso”, afirma o professor do IFSC.

Parceria

O custo total do guincho foi de cerca de R$ 3,5 mil. Um equipamento novo é encontrado no mercado por quase o dobro deste valor. A Apae de Orleans bancou os custos com materiais e a mão de obra necessária com metalurgia e pintura. Para a associação, além da economia de recursos, a parceria com o IFSC permitiu um trabalho conjunto, que atendesse às necessidades da instituição.

“Os alunos acompanharam nosso dia a dia, as dificuldades dos nossos profissionais, entraram em sala de aula, viram a necessidade e onde o guincho poderia ajudar. Conversamos, arrumamos, tivemos um contato muito bom com o IFSC”, relata Fabiana Martins Hoffmann, diretora da escola especial Lar da Esperança, que funciona dentro da Apae. “Era muito caro comprar um guincho pronto. Só o material acarretou um baixo custo para a instituição. Acredito que isso vai se estender para outras instituições que têm a mesma dificuldade”, projeta.

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