#Pracegover Na foto, homem em um riacho, agachado jogando água no rosto
Foto: Assessoria de imprensa UniSul

Ter o trabalho reconhecido e indicado a um dos mais importantes prêmios do cinema certamente é um dos objetivos de muitos dos jovens que entram no mundo da arte no Brasil. Essa foi uma conquista da Maria Eduarda Santos Medeiros, de 24 anos, formada em Cinema e Audiovisual na UniSul, em 2018. Maria Eduarda faz parte da equipe de produção do filme “Cantareira”, de Rodrigo Ribeyro, e foi a responsável por toda a caracterização dos personagens do curta-metragem que foi selecionado para a Mostra Cinéfondation do Festival de Cannes, o mais tradicional do mundo.

“Quando soube da indicação fiquei muito entusiasmada e feliz, é sempre bom ver um trabalho que nos dedicamos, feito com tanto amor e carinho ter o reconhecimento nacional”, destaca Maria Eduarda que atualmente é mestranda do PPGCL – Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem, com foco em processos criativos e direção de arte na Instituição.

Sempre muito criativa, a escolha pelo curso de Cinema foi algo natural para a realizadora audiovisual, que aconteceu ainda no ensino médio. “Eu continuamente fui envolvida com arte e gostava muito de escrever, mas todas as histórias eu conseguia visualizar muito bem com imagens, os aspectos do audiovisual sempre me fascinaram. Eu sou o tipo de pessoa que compra os DVD’s e assiste mais o making off do que o próprio filme. A produção me chama muito a atenção. Então, no terceiro ano da faculdade decidi que gostaria de seguir essa carreira. Meu sonho é conseguir inspirar a sociedade com as minhas criações e trazer à vida histórias que causem um impacto nas pessoas”, comenta a jovem.

A estudante ressalta que a graduação foi o início de um sonho e que hoje ela dá continuidade dentro do Mestrado. “Minha trajetória acadêmica começou na UniSul e foi onde aprendi muitas coisas dentro da área. Desde o começo tive a oportunidade de participar de gravações, de explorar todas as possibilidades que o audiovisual tem a oferecer e com o passar dos anos fui me aperfeiçoando”, destaca.

Para Maria Eduarda, atuar na produção do “Cantareira”, foi um passo muito importante. A jovem que já trabalha na área, conta que a produção tem um roteiro muito sensível e poético e que teve que estar bem próxima dos diretores de arte para dar vida aos personagens. “Sou apaixonada pelo meu trabalho, é sempre incrível ver os personagens tomarem forma nas gravações”, destaca.

Sobre o processo criativo para a caracterização de um personagem, a profissional ressalta que vai muito além do que o roteiro conta e que é necessário entrar de cabeça na vida do personagem. “Para esse filme, o processo de estudo consistiu em entender muito bem a história do roteiro, mas também os próprios personagens. As origens, lugar onde cada um cresceu, onde mora, o estado psicológico de cada um, todos esses elementos influenciam na caracterização do personagem”, menciona.

Maria Eduarda também fala sobre a importância de trazer o personagem para a realidade, para que o público tenha a sensação de que a história é real. “No trabalho de caracterização temos que expressar a narrativa desses personagens através da aparência e mostrar as marcas que a história deles deixaram. A caracterização vai muito além do que o roteiro conta” enfatiza.

Atualmente a profissional atua como caracterizadora cinematográfica, maquiadora social e artista além de atuar com trabalhos na área de direção de arte audiovisual. “Já fiz vários curtas-metragens, universitários e independentes e um longa-metragem denominado “Nas Mãos de Quem Me Leva” de João Cortes, que estreou dia 08 de julho nas plataformas digitais em que também assinei a caracterização do filme”, relata.

Maria Eduarda está otimista com sua carreira e diz que em seu futuro só consegue se imaginar de duas formas: fazendo e pensando cinema, mas, não descarta uma carreira acadêmica daqui a alguns anos. “Nesse momento, não consigo me imaginar fora de um set de filmagem. Hoje, é o que mais amo e espero fazer para o resto da minha vida. É gratificante trazer as histórias e personagens de um roteiro a vida e é por isso que cada set é uma experiencia única que me molda como profissional e como pessoa. Também penso em seguir carreira acadêmica e compartilhar meu conhecimento na área, estudando e desenvolvendo meu lado intelectual. Acima de tudo, quero viver de cinema e arte”, finaliza.

Sobre o filme Cantareira

O curta-metragem “Cantareira”, realizado pelo paulistano Rodrigo Ribeyro e selecionado para a seleção Cinéfondation de 2021 – focada em novos diretores, ainda estudantes – do Festival de Cinema de Cannes, tem como foco o paradoxo entre a metrópole e a natureza que literalmente a rodeia ganha corpo numa localidade: a Serra da Cantareira. Produzido como trabalho de conclusão de curso da Academia Internacional de Cinema de São Paulo, o projeto é resultado de um processo criativo que aborda as nuances da capital paulistana que, de tão intensas, reverberam em territórios vizinhos.

O filme mostra a história de Bento e Sylvio, neto e avô respectivamente, ambos com raízes profundas na Serra da Cantareira, mas em momentos diferentes de vida. O mais velho contempla preocupado o atual estado da Serra, com o “avanço” à espreita do aspecto natural do lugar, já cicatrizado por lojas e estradas abertas em meio a mata.

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