Brasília (DF)

Somente no ano passado, pelo menos 75 milhões de pessoas foram colocadas abaixo do limiar da fome em todo o mundo. O dado é do relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Com isso, o número de desnutridos chegou a 923 milhões, contra uma estimativa de 848 milhões para o período entre 2003 e 2005.

Um dos motivos foi o aumento nos preços internacionais de alimentos. Com a alta contínua nos valores dos principais cereais e do petróleo, este ano, – apesar de o preço do barril ter retornado à faixa dos US$ 100 -, a expectativa da ONU é de um crescimento ainda maior da fome no mundo.

As regiões onde a fome se agravou mais é a Ásia e o Pacífico, com 41 milhões de novos desnutridos. Na América Latina e Caribe, a FAO estima que o aumento foi de seis milhões. Os números mostram uma reversão na tendência positiva rumo ao cumprimento dos objetivos do milênio (ODM), como o de reduzir pela metade a proporção de pessoas com fome no mundo até 2015.

De acordo com a FAO, chegar à meta fixada na Cúpula Mundial sobre Alimentos, em 1996, é um desafio cada vez mais difícil, já que seria necessário reduzir o número de famintos em 500 milhões para se chegar à metade do número estimado em 1990-1992, que era de 842 milhões.

Segundo a organização, é necessário romper o círculo vicioso da fome e da pobreza, agindo em duas frentes. Uma é fazer com que a população mais pobre e vulnerável tenha acesso a alimentos e outra é ajudar os pequenos produtores a aumentarem sua produção e renda.

Os países mais atingidos pela crise dos alimentos, a maioria na África, precisarão de pelo menos US$ 30 bilhões por ano para garantir a segurança alimentar da população e reativar sistemas agrícolas. No entanto, a redução da fome pode trazer grandes benefícios, de forma a permitir que se alcance os outros objetivos do milênio, como a redução da pobreza, do analfabetismo e da mortalidade infantil.