Alfredinho, o rádio e dona Marli. Ela levou um susto quando ligaram para perguntar se o ‘filho’ tinha morrido
Alfredinho, o rádio e dona Marli. Ela levou um susto quando ligaram para perguntar se o ‘filho’ tinha morrido

Mirna Graciela
Tubarão

 
Figura conhecida e querida em Tubarão, Alfredinho deu um usto’ em muita gente nesta sexta-feira. Na verdade, não foi ele. E sim um “engraçadinho” que publicou no Facebook que ‘o homem do radinho’ havia morrido, vítima de acidente. Deu até o nome da funerária onde ocorria o suposto velório. 
 
Tudo não passou de boato! À medida que a notícia corria a internet, chegavam informações sobre o seu paradeiro. Afinal, como praticamente todas às tardes, Alfredinho passeava pelo centro da cidade, vivinho da silva.
 
Um fato curioso é que Alfredinho sempre sabe quem morreu, não perde um velório. E também prega umas mentirinhas sobre este assunto. “De tanto matar os outros, mataram ele”, brincou uma funcionária pública.
 
Quem o conhece sabe que ele é assim mesmo, brincalhão. Algumas brincadeiras do tipo “Sonhei contigo esta noite. Carregava a alça do teu caixão” podem até não agradar muito, mas uma coisa é certa: a sua popularidade não tem limites.
 
 
“Não vou morrer, vou viver para sempre”
Se a morte é algo que sempre esteve presente de alguma forma na vida de Alfredinho, ele quer distância dela. Após seguir seus passos rápidos no centro de Tubarão, a redação do Notisul foi à sua casa. Muitos não sabem, mas há sete anos ele tem uma família. 
 
É na Pensão da Marli, no bairro Comasa, que ele mora. “É uma pessoa muito engraçada, fala besteiras e nos diverte. Estou com uma dor no peito desde quando as pessoas vieram aqui e telefonaram perguntando se era verdade (que ele tinha morrido). Ele é como um filho para mim. Liguei para a polícia e meu filho foi ver no hospital”, conta dona Marli. 
 
Alfredo Nascimento tem 53 anos. Ele tem uma família de criação, mas não vive junto. Religiosamente, todos os dias, ele sai após o almoço, com destino ao Centro, e retorna de ônibus às 19 horas. 
 
Nesta sexta-feira, ele chegou em casa alegre e sorridente, como sempre. E relatou: “Me perguntaram se eu tinha morrido, é tudo mentira, estou aqui. Não vou morrer, vou ficar para a vida toda”, brincou Alfredinho, com seu sorriso inconfundível.
 
“A moça que corta meu cabelo disse que ligou para a funerária, disse que a minha morte tava naquele negócio grande (computador). Eu chorei um pouco”, lembrou Alfredinho. 
 
Além do rádio, seu companheiro inseparável, Alfredinho adora o aparelho de DVD e televisão. Não sabe ler, nem escrever, mas é muito esperto. E não abre mão de seu banho diário e de se perfumar.
 
Seja responsável!
Há de se refletir sobre a necessidade de ser responsável na hora de postar algo na internet. As redes sociais são muito rápidas e as informações podem tomar proporções maiores do que realmente são. A notícia da morte de Alfredinho, por exemplo, atrapalhou o trabalho no IML, já que algumas pessoas telefonaram em busca de informação. Fique atento!