Entidade beneficente já realizou 75 mil atendimentos gratuitos a itinerantes e moradores de rua de diversas localidades.

Tubarão

O sentimento de solidariedade, amor e dedicação tem mantido as portas do Albergue Noturno Pousada da Paz, abertas durante 21 anos. Localizado no bairro São João, Margem Esquerda, em Tubarão, a entidade foi fundada em 3 de maio de 1996, e ontem, em celebração a data, promoveu um jantar beneficente aos albergados e convidados que participaram de uma palestra com um dos fundadores, Edson Luiz Barbosa, que apresentou um breve histórico da instituição.

Durante todo este tempo, mais de 75 mil atendimentos foram realizados, juntamente com pessoas interessadas em dar algo de si mesmas, em favor do próximo. O Albergue atende gratuitamente itinerantes e moradores de rua, oferecendo banho, jantar, pouso e café da manhã.

Sendo a única casa de passagem presente na região da Associação de Municípios da Região de Laguna (Amurel), mobiliza mais de 100 voluntários que tem garantido a manutenção e crescimento do local. A tubaronense Silvana Bresciani Godoi, há 10 anos faz parte do time de voluntários que todos os dias são responsáveis pela alimentação. “É uma oportunidade preciosa onde podemos fazer o bem para o próximo e para nós mesmos. É gratificante participar desta corrente do bem”, afirma.

Além de abrigo e alimentação, a entidade disponibiliza para aqueles que necessitam, roupas, calçados e materiais de higiene pessoal. O objetivo dos voluntários, segundo o fundador e coordenador da casa é dar continuidade aos trabalhos com moradores de rua de alta complexidade. “Nossa função é esclarecer e orientá-los para a inclusão social. Infelizmente ainda há grande resistência da sociedade para aceitar o morador de rua. Cada um fez uma escolha de vida e tentamos ajuda-los da melhor forma possível”, relata Edson.

Albergado luta por uma  oportunidade de emprego
Vladimir Sampaio Martins, 44 anos, é natural de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, e há sete anos está nas ruas. Após ter problemas com substâncias químicas, o gaúcho tem passado de cidade em cidade até chegar a Maracajá, onde estava internado em um centro de recuperação. Ele recebeu a notícia de que seu filho teria levado um tiro e acabou saindo do local.

Entre idas e vindas, há dois meses chegou a Tubarão, onde encontrou no albergue um abrigo e uma esperança de vida. “Já passei por vários lugares e aqui foi o único local que fui bem recebido. Todos nos recebem com muita atenção e cuidado. Esse lugar é especial”, relata Vladimir.

O morador de rua tem lutado para mudar de vida e está à procura de um emprego, porém, por não ter um endereço fixo e ser um ex-dependente químico tem sofrido dificuldades para ingressar no mercado. “Infelizmente, a sociedade é muito cruel com o morador de rua. Tudo que gostaríamos é de uma oportunidade. Apenas uma chance para provar que podemos fazer escolhas diferentes e voltar a ter uma rotina estável”, dispara.

Durante suas andanças às margens da rodovia, na luta pela sobrevivência, o gaúcho vivenciou o preconceito e a discriminação. “Já apanhei muito nas ruas. Estava doente, com fome e percebi que teria que me virar sozinho. É nessas horas que penso em voltar a ter um emprego e recuperar minha vida”, reflete.