Liliane Dias
Tubarão

A vida proporciona relacionamentos das mais variadas formas. Alguns envolvem mais sentimentos e outros nem tanto. Uns nos aproximam mais das pessoas e perduram até o fim de nossas vidas, outros são passageiros. Mas os que mais marcam a nossa existência, são aqueles que nos permitem fazer escolhas, como nos casos de adoção.

A entrega, o amor, a vivência não podem ser ‘meia boca’, precisam ser por inteiro. E ao lembrarmos dessa entrega, normalmente o relacionamento que mais marca a vida das pessoas é a entrega que um pai e uma mãe fazem ao acolher e chamar um filho de seu.

Ontem comemoramos o dia Nacional da Adoção, mas a data deve servir apenas como referência, pois o ato de se entregar ao amor, deve ser uma constante. Um exemplo de que essa entrega vale a pena é a história dos bancários Muryel Claudino dos Santos Pittigliani, de 45 anos, e de Shirle da Silveira Mendonça Pittigliani, de 41 anos.

Shirle conta que desde o início do seu relacionamento com Muryel, sempre falavam em adotar uma criança. “Desde quando eu e Muryel namorávamos já era um desejo nosso. Isso faz 19 anos, desses, 16 de casados”, expõe.

Ela explica que entraram na fila de adoção em 2008, antes mesmo de pensarem em ter um filho biológico. Mas, no decorrer do percurso tiveram a primeira filha, Betina, em 2013. A suspenção da inscrição permaneceu até 2018, quando retornaram à fila. “Assim que começamos a fazer parte do grupo de apoio a adoção”, relembra.

“Antes mesmo de pensarmos em tê-la, já estávamos na fila de adoção. E quando a Be nasceu, optamos em suspender temporariamente a adoção, porque ela precisaria de atenção naquele momento. Mas o desejo permaneceu nos nossos corações e algum tempo depois, retornamos a fila de adoção”, explica.

A pequena, que hoje está com 1 ano e 3 meses, transformou a vida de toda a família. “Isabela, nome escolhido por Betina, que hoje está com 6 anos, entrou para as nossas vidas em 12 de julho de 2019. Estava trabalhando quando recebi uma ligação do fórum, informando que Isabela havia chegado”, relembra.

Neste momento houve uma certa ‘correria’, até porque não havia data certa para a chegada de mais um membro da família. “A Be, sabíamos quando chegaria, já a Isabela foi uma surpresa a sua chegada. Na quinta-feira, 11 de julho, corremos para comprar banheira, roupas, sapatos, fraldas. Tudo que precisaríamos para recebe-la de imediato”, comemora a bancária.

Muryel saiu do trabalho, passou na escola de Betina para que também ela participasse desse momento: ‘o nascimento da irmã na vida de todos. Um momento que, segundo Shirle, foi tão especial, importante e esperado por todos da família. “Ao chegar no fórum, Be nos olhou e perguntou se poderia ser a primeira pessoa a pegá-la no colo. Nós dissemos: ‘claro que sim filha’”, emociona-se.

Ela lembra também que ao ser questionada se gostaria de ver fotos da pequena antes, respondeu que não. “Não precisa. Ela é minha de qualquer jeito. E no dia seguinte, sexta-feira, 12 de julho, às 16h30, agendada para estarmos no fórum, estávamos lá para conhece-la e pegá-la nos braços pela primeira vez”, comemora.

 

Processo de adoção

Chegando na sala das assistentes sociais, Shirle conta que ela estava lá. “Uma bolinha, toda fofa no colo da mãe acolhedora”. A mãe acolhedora passou a rotina de comer, dormir, o que gostava de brincar e ouvir para a família da pequena. “Agradecemos muito por todo cuidado, carinho e amor que teve com a Isabela. Ela a entregou para a Betina e logo em seguida, tivemos a audiência para a guarda provisória”, pontua.
Documentos assinados, eles seguiram para casa com um ‘pacotinho no bebe conforto’. “Ao chegarmos, apresentamos a casa para ela e dissemos que agora esse seria seu lar e que ela era muito bem recebida por todos nós. Ela estava com apenas 4 meses e meio”, detalha Shirle.

É importante reforçar que Isabela, nascida em 21 de fevereiro, já estava na casa de uma família acolhedora no dia seguinte em que nasceu. Shirle conta que se trata de uma criança que desde o seu primeiro dia de vida foi sempre muita bem cuidada, não chegou a ir para um abrigo, sorte que tantas outras crianças não tiveram.

Dentro do período de espera, Shirle conta que foram 7 anos, mas dentro desse tempo estiveram suspensos, quando Betina nasceu. “Ativos mesmo na fila, foram 4 anos e um pouquinho mais. Após quase 5 anos da chegada da Betina, aproximadamente”, relata.

 

Amor incondicional e papel da família

Questionada sobre o medo que pode rondar o coração das pessoas que pensam em adotar e que já tem filhos biológicos, a bancária conta que surgiram incertezas sim, mas que logo foram superadas. “Tínhamos medo de saber se amaríamos tanto quanto a Betina, mas Deus faz tudo tão perfeito que o amor de um pai e uma mãe jamais é dividido. É algo difícil de explicar, mas ele multiplica nossos sentimentos”, garante.

Quanto o papel da família, é fundamental? “É de fundamental importância que seja inserida também em todo processo. Que os casais tenham consciência e saibam de fato porque adotar”, alerta Shirle.

Ela relembra que passada apenas uma hora que havia chegado em casa e a família já estava presente para desejar as boas-vindas à pequena Isabela. “Quando tocou o interfone e atendi, estavam meus pais, minha irmã, meu cunhado, meu sobrinho Miguel de 4 anos, meu irmão, minha cunhada e minha sobrinha de 5 anos. Todos para conhecer a nova integrante da família”, comemora.

Shirle garante que não houve nenhum tipo de influência na decisão do casal. “Poderíamos ter outros filhos biológicos, tanto eu quanto ele, mas foi realmente uma opção nossa. Acredito que viemos nessa vida com essa incumbência de sermos pais de coração”, enfatiza.

A bancária afirma que o primeiro passo é a vontade de adotar, o que vem depois é consequência. “A adoção é a capacidade de amar e permitir que te chamem de pai/mãe. Espero que possamos inspirar outras famílias e que sejam tão felizes quanto nós somos”, finaliza.